Shows | O Krisiun esteve aqui (Review do show em Fortaleza)
23/01/2020 | Por
Referência do death metal brasileiro e com grande prestígio no exterior, o Krisiun fez um show apoteótico neste sábado, 18, ao lado da banda local Asmodeus

O verdadeiro Réveillon para muitos headbangers cearenses se deu no último sábado, 18, no Pirata Bar. A tradicional casa de forró que desde julho abre suas portas para o rock recebeu o trio gaúcho Krisiun, expoente máximo do death metal brasileiro. O show, que foi organizado pela Underground Produções, foi apoteótico e contou com um bis devastador com a clássica Black Force Domain.

Logo cedo, já havia concentração de fãs na porta da casa. Muitas pessoas haviam chegado cedo a fim de pegar um bom local para assistir a 11ª apresentação do trio gaúcho em Fortaleza. Até os portões abrirem, por volta de 20h30min, o público ficou do lado de fora bebendo e colocando o papo em dia. Entre os assuntos preferidos do headbanger está o próprio heavy metal, e relembrar shows antigos. Ouvi pessoas puxarem da memória o grande show que o Korzus e o Accept fizeram em Fortaleza, no Festival Ponto.CE, em 2018. Depois de muito papo e um último gole na cerveja, chegou a hora de entrar na casa.

O evento contou com a abertura da banda local Asmodeus, considerada a primeira banda de metal de Fortaleza a tocar ao vivo, em meados dos anos 1980. Após um hiato de 1986 até 2015, quando a banda retornou para tocar no festival Tempestade Metálica 30 anos (evento que marcou o início da cena heavy metal de Fortaleza), os membros da Asmodeus decidiram voltar à ativa e gravaram o seu primeiro CD, Parabellum (2018). Na noite do último sábado, 18 de janeiro, Elineudo Morais (vocais), Fábio Morcego (guitarra), Anderson Frota (baixo) e Acacio Vidal (bateria) mostraram que estão mais ativos do que nunca e entregaram um show consistente e seguro, com músicas como Guerra, Sangue de Minhas Mãos, Continuamos a Falar de Flores e Tortura Mental. A Asmodeus planeja novo disco para 2020 e, segundo a banda, algumas músicas já estão desenhadas.

Asmodeus no palco. A banda abriu para o Krisiun na noite do dia 18 de janeiro. (Foto: Victor Rasga)

Às 22 horas em ponto, o Krisiun subiu ao mesmo palco em que havia tocado em 1997, quando fizeram seu primeiro show em Fortaleza. Pra quem não conhece a banda formada em 1990, em Ijuí, Rio Grande do Sul, o trio é um dos precursores do brutal death metal mundial, com grande reconhecimento internacional. O show já começa com a faixa Kings of Killing, do disco Apocalyptic Revelation (1998). Na sequência, a banda mandou uma dobradinha de clássicos, com Combustion Inferno, do disco Southern Storm (2008), e Blood of Lions, do The Great Execution (2011). Foi o suficiente para a primeira de muitas rodas daquela noite se iniciar.

Primeira roda da noite. (Foto: Victor Rasga)

Entre uma música e outra, o baixista e vocalista Alex Camargo enfatizava sempre a gratidão da banda pelos fãs que os apoiam desde o começo. “Sem vocês nós não estaríamos aqui. Obrigado por todo o suporte ao longo desses mais de 20 anos de estrada”, comentou Alex.

Um show do Krisiun permite ao público curtir das mais diversas formas, seja sacudindo a cabeça como se não houvesse remédio que curasse a dor no pescoço no dia seguinte, seja apenas ficando parado apreciando tamanha brutalidade, técnica e elegância que três músicos talentosos são capazes de fazer com seus instrumentos. Max Kolesne (bateria) tocou usando uma camisa da Obskure, banda cearense que ano passado comemorou 30 anos de resistência. Tal fato reforça a união e o vínculo que o Krisiun tem com a Cidade. “Fortaleza é a nossa segunda casa, nós tocamos aqui desde o começo e vocês sempre nos receberam muito bem. Temos muito carinho pelos nossos irmãos cearenses e muito respeito pela cena de vocês. Bandas como a Blasfemador e Obskure são grandes nomes daqui”, desabafa o guitarrista Moyses Kolesne. O show segue com Descending Abomination, Demonic III e Vengeances Revelation.

 

Banda termina o show com Black Force Domain. (Foto: Victor Rasga)

Perto do final, Alex Camargo agradece também a todas as mulheres presentes e mostra satisfação em ver que no metal cearense há muita igualdade entre homens e mulheres. Vale enaltecer também a qualidade do som do Pirata Bar, que se manteve impecável do começo ao fim. Antes do bis, a banda finaliza com Conquerors of Armageddon e retorna ao palco para tocar a última música da noite.

“Vocês querem mais uma?”, pergunta Alex. Ainda com muita adrenalina, o público responde que sim e o baixista anuncia Black Force Domain, faixa-título do álbum de estreia lançado em 1995, e que levou a banda aos palcos europeus pela primeira vez. Antes de começar, o vocalista dá um último recado. “Mesmo o País estando essa bosta, e agora parece que com alguns nazistas no poder, nós temos muito orgulho de sermos brasileiros e de representar o País lá fora. Aqui é Brasil, doa a quem doer”, finaliza Alex. E então a banda começa a tocar Black Force Domain, um clássico ideal para se finalizar um show que se manteve em alto nível do começo ao fim.

Krisiun em Fortaleza, (18 de janeiro de 2020)

Local: Pirata Bar

Produção: Underground Produções

Esta matéria também saiu no jornal impresso do jornal O Povo no dia 22 de janeiro.

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