Omminous estreia com grande show no Banco do Nordeste
16/03/2019 | Por
Omminous estreia com grande show no Banco do Nordeste

Uma banda é quase uma família. Membros de uma banda tornam-se quase irmãos nos longos períodos de estrada, na preparação para os shows, nos quartos de hotel, na gravação dos álbuns, na divisão dos lucros (e prejuízos também). O que nós, fãs de música, seja ela qual for, da baiana ao Black Metal, vemos é apenas a ponta do iceberg. Vemos os shows, vemos os discos… às vezes nem vemos os discos, só os ouvimos nos spotifies e deezers da vida. Não vemos os momentos de camaradagem, o êxtase dividido após um bom trabalho, as mãos no ombro, a força compartilhada quando algum parente se vai ou uma namorada termina, os tapas na cara, as acusações infundadas, as faltas de agradecimento… essas coisas que tem em toda família… e tem em toda banda.

 

Omminous

 

E, assim como acontece com os casais, de repente somos surpreendidos com a notícia de que banda tal se separou. “Nossa, mas eles pareciam tão unidos no Instagram!!!”. Acontece frequentemente com casais. Acontece frequentemente com bandas. E de vez em quando acontece com irmãos.

 

A COLDNESS era uma banda formada por Lenine Matos (vocal), Gabriel Andrade (teclados), George Rolim (baixo), Yago Sampaio (guitarra) e Diego Vidal (bateria), tendo lançado dois álbuns full-length que surpreenderam pelo nível de produção e riqueza instrumental além de melodias assobiáveis e grudentas de seu Heavy Metal puxado para o progressivo, um estilo que eu já havia chamado de “Heavy Metal de Luxo” em matérias anteriores. No final do ano passado, tivemos a notícia da saída de um de seus principais mentores, o tecladista Gabriel Andrade. Pouco tempo depois, soubemos que, na verdade, todo o restante da banda é que saíra, deixando com Gabriel a opção e a responsabilidade de retomar e reformar a banda. Os membros dissidentes, Lenine, George e Iago, fundaram a banda OMMINOUS, junto ao novo baterista Diego Vidal. E, tanto pelo legado da COLDNESS quanto pela capacidade individual de cada um, tornou-se a nova promessa do Heavy Metal cearense.

 

O primeiro show da OMMINOUS fez parte do programa Hoje É Dia De Rock, promovido pelo Banco do Nordeste em seu centro cultural, o CCBNB. Além da OMMINOUS apresentaram-se em uma noite de muito metal as bandas FACADA (talvez hoje o maior expoente brasileiro do grind core), o thrash nervoso da VIOLEN (os moleques têm futuro) e a ECHOES OF DEATH (outra promessa de peso – literalmente). Pedimos desculpas às outras bandas, de quem já falamos ou ainda falaremos em outras oportunidades, mas neste texto vamos nos concentrar na OMMINOUS e documentar a sua estreia oficial nos palcos.

 

Quem foi ao Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, CCBNB, naquela noite de sábado foi sem saber ainda o que iria encontrar. A OMMINOUS já tinha liberado a capa e o track list do primeiro álbum, mas até então não tinha divulgado um single sequer. Também não tinham dado nenhum detalhe sobre o que tocariam em seu show de estreia. Então, havia uma grande curiosidade e expectativa pairando no ar. Tocariam canções da COLDNESS? Apresentariam material novo?

 

E a resposta veio através de “Behind all the Consent”. Assim como a própria banda, a canção também tinha ali o seu momento de estreia sob os holofotes. “Vile Maxim”, agora já sem a “dor do parto”, com banda e público mais entregues ao show já fez as cabeças balançarem e atingiu um alto grau de empolgação. Ainda sobre ela vale ressaltar que tem longa parte instrumental, com riffs de guitarra sob uma base bem construída no baixo de George, mas também partes gravadas de teclado. E tudo culmina num belo solo.

Omminous

 

Lenine falou brevemente com o público antes de “Prisioner of a present time”, que tem o mesmo padrão power prog, com bela introdução de baixo (belo timbre , encorpado) e dois solos de guitarra.

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“Essa que a gente vai tocar agora mexe muito com a gente e tem tudo a ver com a temática da banda”, avisou o frontman. Nela, “Black Sun”, há um tanto de oriental, indiano ou algo do tipo na introdução. É uma canção longa, uma paulada. Dá até tempo para o Lenine aproveitar e tirar fotos do público, a essa hora já conquistado, independentemente de qualquer passado. A música é um grande momento e tem que ir logo para os deezers e spotifies. Ouvir uma coisa prog dessas um dia depois do lançamento de um novo álbum do DREAM THEATER (OK, esse a gente já tinha conseguido ouvir faz tempo) é muito para um velho coração.

 

A progzera continua boa com “Into Decay” e Lenine abusa dos agudos com competência na seguinte, “Why?”. A OMMINOUS desponta talvez como um PAIN OF SALVATION alencarino. O vocalista só tem que malhar mais pois quase morre no palco ao tentar emular um daqueles momentos IRON MAIDEN antigos com o guitarrista Yago Sampaio nos ombros. Não. Não ficou bonito. Mas pode ser um ponto alto dos shows no futuro se conseguirem fazer a manobra mais naturalmente.

 

Mas o que importa é a música. Não foi exatamente uma surpresa que o show, que terminou com “Master of Disguise” e um tantinho de “Painkiller” na bateria, seria de altíssima qualidade. Os músicos no palco têm naipe e porte para isso. Mas é, de certa forma, um alívio saber que o legado da COLNESS continuará e agora apenas se divide. Ter duas bandas desse naipe, a exemplo de outras divisões, Max/Sepa, Angra/André, pode até dar dor de cabeça para quem está dentro, mas é lucro pro público.

 

Questões que ainda devem ser resolvidas (não necessariamente respondidas) são: quando vamos poder ouvir o resto do disco (já estamos ansiosos) e se a banda incluirá um tecladista em sua formação. Há partes de teclado nas composições que pedem a presença física de um músico de carne e osso. E, se eu reclamo disso com o ANGRA, não posso deixar de tocar no mesmo ponto com a OMMINOUS.

 

De saldo, ficou a aprovação do público. E também deste que escreve e agora é o único a ver Lenine Matos estrear duas vezes. Também cobrimos a sua estreia como vocal da COLDNESS. Chegamos a viajar com a banda para a cidade de Forquilha no interior do Ceará e documentamos a aventura na matéria que você confere no link abaixo.

 

https://whiplash.net/materias/shows/183944-coldness.html

 

Se aquele casal vai fazer as pazes, passar por cima do que um ou outro (ou um e o outro) fez de errado, ninguém sabe. Era bonito vê-los juntos, mas não podemos continuar “prisioneiros daquele tempo”. Podemos torcer para que voltem às boas, para que convivam em harmonia por causa dos filhos, mas talvez jamais dividam novamente a mesma cama e noites ardentes. Até porque já podem estar felizes com seus novos parceiros, suas novas famílias e desejar um retorno pode significar a dissolução de duas novas famílias que o destino formou. Do mesmo jeito é com as bandas. Talvez não voltem a dividir o mesmo palco e noites igualmente ardentes, mas, sempre torceremos que Sepulturas e Cavaleras, Waters e Gilmours, ‘Coldnesses’ e ‘Omminouses’ consigam conviver em harmonia por causa de seus fãs. Em cada um dos casos, enquanto continuarem lançando músicas boas, quem ganha somos nós. Eu falei isso pro Max. Eu falei.

 

Setlist:

 

1 – Behind all the Consent

2 – Vile Maxim

3 – Prisioner of a present time

4 – Black Sun

5 – Into decay

6 – Why?

7 – Master of Disguise

8 – Painkiller (intro)

 

Agradecimentos: Rubens Rodrigues pelas fotos que ilustram esta matéria.

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