O Rockeiro/Metaleiro merece ver a morte do estilo lentamente?
15/01/2021 | Por

Não é de hoje, na verdade sempre vi isso desde quando iniciei no estilo aos meus 8 anos de idade, que se ouve a famigerada e fatídica sentença “o rock morreu”, ou, “não se faz mais musica boa como antigamente”. Para quem está envolvido no meio underground do rock/metal isso não só é mentiroso como uma tremenda ofensa das mais colossais. Se você tem o triste costume de proferir este tipo de pensamento, sugiro que abra essa caixa que está em sua cabeça e leia este texto, pois é para você que este está sendo escrito.

Chega a soar até mesmo contraditório, pois as mesmas pessoas que dizem as tais frases que eu acima citei são as mesmas que adoram compartilhar nas redes sociais vídeos de crianças tocando musicas do Led Zeppelin na guitarra, afirmando que “nem tudo está perdido” ou “o futuro do rock tem salvação”. Agora, quando uma banda como o Greta Van Fleet surge fazendo um som SEMELHANTE ao Led Zeppelin (pois se você se der o trabalho de escutar ambas as bandas, vai conseguir listar infinitas diferenças na sonoridade, principalmente no vocal), os mesmos saudosistas se tornam máquinas de críticas vazias, onde a semelhança com o grande quarteto inglês parece ser o único ponto que estes conseguem listar. Não sei quanto a você que está lendo, mas me soa incoerente dizer que o futuro do rock é uma criança que toca cover e não os jovens que fazem música autoral.

Mas como no mundo da música se segue a máxima “fale bem ou fale mal, mas fale de mim”, os jovens americanos conseguiram subir rapidamente, lotando festivais e shows por onde passam e trazendo uma nova geração para este universo, coisa que precisamos urgentemente! Não digo isso por pensar que “não há jovens se interessando por rock e metal”, até por que eu mesmo possuo recém completados 20 anos e seria incoerente dizer algo assim, mas quando me refiro a essa necessidade de rejuvenescer o meio, digo quanto a diluir a quantidade de “tiozões de 50 anos que viveram os lançamentos dos grandes clássicos”, não afirmando que estes devem desaparecer, mas quem está nesse estereotipo, na imensa maioria dos casos, passa seu dia dando carteiradas nos mais jovens, anulando qualquer coisa que por eles é dita soltando a famosa frase “cala a boca, eu vivi essa época”.

Tais atitudes destes que se auto intitulam “gurus sábios do rock e metal” não só são extremamente inconvenientes para aqueles ao redor, como acabam por afastar gerações mais novas do estilo, pois um jovem na faixa dos 12 anos procura no rock um escapismo, seja do autoritarismo dos pais, seja da escola, e busca no estilo um refugio onde ele pode degustar de uma liberdade. Porém pense, o que você acha que vai acontecer caso um garoto com as características que eu citei resolver se adentrar no meio do estilo que ele vem se encantando e se deparar com exatamente aquilo que ele quer se distanciar? Pois o que estes “tiozões” tem feito ultimamente nada mais é do que agir como um “pai chato” ditando condutas, pensamentos, sonoridades e, pasmem, aparência! Logo é mais do que natural que este menino, com esse background, penda a seguir por estilos onde não há essa ditadura de conduta, como o indie, o trap ou a eletrônica, que são estilos muito mais receptivos e abertos a novidades.

Este é o ponto que eu queria chegar! Se essa figura do “tiozão” que eu citei fosse inofensiva, não fosse uma ameaça ao meio, eu não estaria escrevendo este texto (e acho que o estilo estaria muito melhor das pernas). Tais características autoritárias acabam por afastar novas gerações e ainda por cima geram o desinteresse daqueles que já estão no meio, pois estes também acabam por se decepcionar com o estilo que outrora era um refúgio para quem era oprimido por diversas formas. Parece até que se tornou um palanque para que o opressor seja exaltado de pé.

Já prevejo comentários me chamando de “lacrador”, “nutella” ou “mimizento”, e isso só mostra que tudo que escrevi aqui está certo e que estes vestiram a carapuça do “metal coxinha” com gosto. Você ter pensamentos diferentes, ser a favor de tal ou tal candidato não é problema, são opiniões, o problema é, além da imposição quase ditatorial que citei ao longo do texto, disseminar pensamentos que saem do âmbito pessoal e passam a ferir a existência de outros. Me refiro a pensamentos racistas, homofóbicos, machistas e demais outros que, além de criminosos, são desprovidos de qualquer lógica além de um ódio gratuito e ignorante. Vale ressaltar que o estilo se mistura com temas políticos desde seu nascimento, ou devo lembrar você de episódios como a guerra do Vietnã ou o PMRC? que geraram toneladas de canções e protestos por parte dos músicos. A realidade é que quem aparece com o discurso “quem lacra não lucra”, ou, “não se mistura música com política”, quer mesmo é que não exista progressismo ou pautas sociais num estilo que as prega desde sua prole (por favor pesquise as origens da música que você ouve), afinal, existem diversos músicos conceituados que se declaram de “extrema direita” e propagam ideias que vão contra as próprias músicas, mas que são exaltados aos berros pelos mesmo que pregam o “metal apolítico” (ou vocês também foram massacrar o Eric Clapton e sua música anti-lockdown?).

Ler em grandes sites do meio que “ninguém é obrigado a apoiar o underground” e ouvir de grandes youtubers que falam sobre o estilo que “a geração de 2000 em diante não fez banda” é como ouvir que a terra é plana para quem realmente se da o trabalho de pesquisar as novidades do mercado fonográfico. E isso mostra que esse tipo de pessoa não só quer indiretamente a morte do rock e do metal (basta sugerir uma banda nova que vocês verão as ofensas mais baixas), como merece ver essa morte da forma mais lenta e dolorosa.

Para terminar, recomendo você que está lendo a parar de chorar pelo passado de meio século e passe a correr atrás de conhecer o que vem aparecendo de NOVO! Sim, ênfase nessa palavra, pois com exceção de bandas que zelam por um revival dos grandes clássicos (e ainda sim adicionando toques atuais ao som), as bandas novas trazem um som novo (dãã?). Então para com as comparações infantis e agradeça pelas bandas novas e instrumentistas novos estarem produzindo música autoral com tanta gana e tesão quanto aqueles que você tanto exalta. Bandas como Vitrolianos, Bare Knuckle, Blue Traffic, Fractal ou Upon A Frozen Shore são ótimos exemplos de grupos formados pela tal “geração 2000” e correm atrás para provar que os tempos do metal certinho estão contados e que o pensamento “Boomer”, além de venenoso para a cena, está com seus dias contados.

6 comentários

  1. OU seja, você quer sedimentar um novo generation gap. Os velhos seriam prejudiciais para a evolução do sub gênero metal, porque ditam regras identificando o passado com parte do presente. E isto seria ruim, porque os velhos teriam o poder de impedir a evolução.
    Mas acontece que não houve um rompimento da tradição do hard e do metal em nenhum momento até o presente. Claro que são diferentes em alguns aspectos em relação ao passado. Mas não o suficiente para Greta VAN FLEET ser tão à parte assim.
    O teu panfleto talvez seja benvindo para marcar posição do novo. Mas se há “metal” necessariamente há história pregressa. E se assim não for talvez seja útil inaugurar uma nova tendência.
    De um ponto de vista mais geral, “tudo tornou-se presente”. A conexão passado futuro está diluída, principalmente em gêneros tradicional. E todos são; porque produtos do estabelecido.
    Se você quer advogar a necessidade do novo formar -se, acho que inaugurar uma “guerra geracional” talvez não seja o caminho.

  2. bom texto.mas o rock não é mais produto de venda e não faz sucesso como foi nos anos 70 e 80 a verdade é essa…a geração nova (exemplo meu filhos e netos) hoje não curtem rock (a maioria) e a geração quem virá seguir tb não curte rock..a mídia física ta acabando .a mídia geral não divulga..e quando fala é saudosista.essa é a a verdade.

  3. Parabéns pelo texto e pelas pontuações mais que essenciais e necessárias.
    Lá nos anos 90 eu não ouvia metal justo pelo comportamento “cabreonáceo” dos ditos “metaleiros”. Infelizmente não é um universo que te acolhe a fazer parte da “tribo”, mas soa como um campo de concentração em que o portão está aberto: tu não entra com alguém, nem é convidado, mas entra já sabendo que levará porrada o tempo todo.
    Agora, beirando os 40 anos, é que estou passando a ouvir “os clássicos” do gênero e, incrivelmente, noto que os “headbangers”, pelo visto, não entendem do que estão ouvindo (ao encontro de seu texto), para cada Phill Anselmo, há dezenas de “Brujeria” que apontam outros caminhos, digamos, “humanos” e sociais.
    Foi um alento ler seu texto. Me acalmou muito.

  4. Nossa, isso é um cancer, o pior é que tem um mais novos levando o mesmo pensamento e fica foda apresentar qualquer coisa nova, tem muita banda nova que curto mas a “novidade” não entra no ouvido de gente que por alguma razão é conservadora no rock….. que pra mim é uma contradição IMENSA

  5. Fora alguns erros na gramática, o texto mostra o lado daqueles que não são ouvidos pela grande maioria daqueles envolvidos na cena do metal… é extremamente interessante e chama a atenção o fato de que suas críticas não são infundadas como aquelas feitas pelos bem denominados “boomers”. Parabéns e sucesso.

  6. Mano, vejo muita coerência nos seus comentários. Falo também que essa não é exclusividade do rock ou da música.
    Eu como um amante de futebol que cresci jogando em times de veteranos e com pessoas mais velhas, sempre ouvi:
    ” Queria ver os de hj fazer isso naquela época” ou “Não se fazem mais jogadores como antes”.
    Mas a verdade é q o saudosismo existe e é bom, mas exagerado é prejudicial. Como qualquer coisa boa que em exesso é ruim tbm.
    Gostei muito do txt!

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