O massacre do Onslaught em uma sexta feira 13 de Fortaleza
19/01/2017 | Por
Onslaught em uma sexta feira 13 de Fortaleza

Introdução

O show da banda britânica Onslaught ocorreu na última sexta feira, 13 de Janeiro, e durante os dias antecessores do show fomos surpreendidos com a mudança do local de apresentação da banda. O Onslaught iria tocar no Teatro da Boca Rica, que vinha recebendo muitos eventos de metal aqui na cidade de Fortaleza pela sua boa localização e espaço (mesmo que a acústica não seja tão boa). Porém, não é de hoje que o Teatro da Boca Rica apresenta certas fragilidades e depois de uma forte chuva que atacou a capital cearense um final de semana antes do show do Onslaught, uma parte do teto do teatro demonstrou certa preocupação. A produção local achou melhor, para o bem de todos, trocar o local do show e assim, evitar grandes problemas. Fomos informados que medidas de conserto já foram tomadas e o Boca Rica passa por reparos. Esperamos que ele fique 100% adequado para os headbangers muito em breve, pois o ano está só começando e precisamos do Teatro da Boca Rica como também de outros locais propícios a realizar shows de metal. Como diz o velho ditado: Quanto mais, melhor.

A mudança

O novo local do show acabou sendo o conhecidíssimo templo metálico de Fortaleza GRAB CLUB (se você não conhece, assista ao vídeo que fiz no Back to the Heavy, clicando aqui). O GRAB tem mais histórias do que a carreira do AC/DC, KISS e Rolling Stones juntas (rs). A mudança agradou algumas pessoas, devido ao espaço ser melhor e a propagação do som ser realmente muito mais favorável do que o fechado Teatro da Boca Rica, mas prejudicou de uma certa forma pois também fez com que uma quantidade de pessoas não pudessem ir. Realizar shows no  GRAB traz um detalhe que deve ser lembrado: O espaço fica localizado entre casas de família e de uma, acreditem se quiser, Igreja Universal, e as 22:30 o som deve ser baixado, iniciando assim o término de qualquer evento que aconteça por lá. Por causa deste detalhe, o horário do show foi adiado e ficou previsto para começar as 19h com a apresentação da Darkside.

Atrasos

Imprevistos acontecem e com esta mudança de local, algumas coisas ainda tinham que ser feitas e por isso teve-se um atraso na abertura da casa. O que para alguns foi tranquilo (pois dava para continuar bebendo do lado de fora), para outros foi complicado devido a ansiedade, preocupação com o horário e até mesmo a vontade de usar o banheiro depois de ter tomado umas cervejas no lado de fora. De fato o atraso prejudicou o evento quanto às atrações, pois a banda cearense FLAGELO (escalada para tocar antes do Onslaught e depois da Darkside) não pôde se apresentar. É importante frisar que esta foi uma decisão da própria banda para evitar que os ingleses tivessem o seu show comprometido. De longe, foi a melhor decisão e fica os parabéns do Detector de Metal à banda Flagelo, que por ser uma banda local, não demorará muito para que presenciemos um show deles por aqui. Os atrasos não comprometeram as apresentações e tudo ocorreu perfeitamente, tendo quem afirme que foi a melhor noite de thrash metal dos últimos anos.

 

DarkSide

É complicado falar da Darkside. Está aí uma banda que não me permite ficar atento ao show, pois algo me força a banguear enquanto os caras estão tocando. Mas vamos lá. Entre as suas várias formações (que eu não as conheço direito e não vou me atrever a falar delas) eu só conheço a atual e somente dela que posso falar. Tales Groo é o cabeça da banda, o mais veterano também e o principal compositor, OK! Fez uma apresentação animada e ficou extremamente focado em sua performance (seria para poder impressionar os caras do Onslaught?). Tales é o “zoero”, soltou várias piadinhas entre as músicas e em tom de brincadeira, perguntou ao produtor se ainda rolava tempo para um Forró.  Mas Tales, não é de você que eu irei focar hoje meu querido, mas sim de uma pessoa chamada Marcelo Falcão, o vocalista.

Marcelo Falcão da Darkside

Um dos fatores que mais contribui para que eu, Gustavo Queiroz, goste ou ame uma banda de Thrash Metal é a agressividade do vocal e este rapaz parece que sangra as cordas vocais em cada vez que sobe para cantar pela Darkside. Marcelo é um rapaz simples, usa roupas não muito chamativas quando se apresenta, futuro advogado, amante de videogame, simpático, atencioso e prestativo com todos. Mas quando sobe no palco, parece que o mais agressivo e revoltado dos demônios do inferno encarna em seu corpo e ele simplesmente coloca qualquer lugar abaixo apenas com a sua voz. Ah, e isto ocorre EM TODAS as apresentações da Darkside. O rapaz é extremamente focado antes do show, passa a beber apenas água e em alguns momentos chega até a se isolar para buscar uma melhor concentração. Eu poderia passar o dia aqui tecendo elogios ao rapaz, e estou MUITO ansioso com o novo material que a Darkside irá lançar, por que pelo o que eu ouvi de Marking Off.. bem, deixemos isso pra depois. A Darkside tocou naquela noite Bubonic, Born for War, Fragments of Time e entre outras.

 

Darkside

 

Preciso ressaltar também a dupla Kaio Castelo (Baixo) e Anderson Meneses (Guitarra) que, mesmo acanhados no canto do palco (não sei se o tamanho do espaço interferiu nisso), fizeram um baita show e mantiveram juntamente com o baterista Bosco Lacerda, o instrumental agressivo da Darkside em perfeita execução do início ao fim.

 

Kaio Castelo e Anderson Menezes da Darkside

DarkSide

Fotos: Gandhi Guimarães

 

ONSLAUGHT

A atração principal começou o seu show por volta de 21:15 / 21:30. Com o atraso, a Flagelo, que ia tocar depois da Darkside, guardou suas energias para uma outra oportunidade e cedeu o seu tempo para que o ONSLAUGHT executasse sem pressa nenhuma o seu show. Os britânicos tocaram o álbum “The Force” de maio de 1986 na íntegra, desde a música Let There Be Death até Thrash ’till The Death e ainda nos presentearam com algumas belezuras como a música Burn do disco Killing Peace e Death Metal do disco Power From Hell. Senti falta da famosa 66fucking6, música na qual a banda vem tocando em sua turnê e que em Fortaleza fez uma grande falta. Conversando com alguns headbangers que estavam naquela noite do dia 13 de janeiro, eles me contaram que aquele show foi um dos melhores de thrash metal dos últimos anos (estou apenas relatando a opinião de alguns).

Onslaught em fortaleza

 

E não tiro a razão deles, pois de fato, eu não me lembro de ter visto um show de thrash tão bem executado, com tanta agressividade, brutalidade e técnica como foi o show do Onslaught no Grab Club. Todos da banda, eu digo, TODOS, aparentaram um carisma imenso dentro e fora do palco. O baixista Jeff Williams tirou fotos com todos após o show, o baterista subiu ao palco com um short super curto (que parecia aquelas cuecas box coladas, sabe? Usada por muitos ciclistas) e que por sinal era um dos produtos disponíveis na lojinha de merchandising da banda. Sim, o que para nós é um produto um tanto quanto diferente, no exterior, o merchandising é bem amplo e vai desde camisinhas da banda até band-aid (não me refiro ao Onslaught, mas sim sobre bandas de metal do exterior em um modo geral). Já dizia Gene Simons do Kiss: “Se você não está ganhando dinheiro com a sua banda, alguém está.”. Um momento bem legal do show do Onslaught foi o “Stage Diving” FEMININO, quando um grupo de meninas subiu ao palco e simplesmente se jogaram no público. Até mesmo o vocalista Sy Keeler ficou impressionado com a atitude das meninas e aplaudiu. Resumindo, show impecável, carisma visível em todos os integrantes, rolou até um bis, stage diving feminino. Enfim, perfeito, exceto por alguns detalhes que eu gostaria de falar agora.

Onslaught em Fortaleza

Onslaught em Fortaleza

Fotos: Gandhi Guimarães

 

O público

A mudança de local interferiu um pouco na quantidade de pessoas no show. Estávamos com um visitante internacional em nossa terra, ingressos sendo vendidos com bastante antecedência, excelentes bandas locais na abertura, o Onslaught possui muitos anos de estrada e discos conceituadíssimos no Thrash Metal mundial, e acredito que poderia ter dado mais gente neste show. Eu só consigo levantar hipóteses do por quê de poucas pessoas, cada um que não foi teve o seu motivo. Meu trabalho aqui é tentar incentivar, divulgar shows, informar, buscar os erros e auxiliar a evitar que os próximos eventos deem poucas pessoas.

Autoral X Cover

Como eu disse, o show do Onslaught teve seu anúncio feito com antecedência e a venda de ingressos iniciada logo desde o começo da divulgação do evento. Alguns dias antes do show, foi anunciado que haveria uma noite cover na casa de shows Armazém (localizada perto do teatro da Boca Rica, inclusive). As atrações eram Metallica e Iron Maiden Cover. Não tenho absolutamente nada contra a eventos covers, inclusive eu curto muito frequentar o Bar ROCK 80 e prestigiar os meus amigos da Total Eclipse tocando os clássicos do Iron Maiden, banda na qual eu sou extremamente apaixonado e se não fosse ela, não existiria este humilde portal que tanta luta pela cena metal. Cover, em barzinho, conversando com amigos, é muito legal! Mas isto ocorrer na mesma noite que uma atração internacional e conceituada no thrash metal tivesse tocando em Fortaleza, acho uma tremenda ignorância e falta de respeito para com a cena e com os que lutam para mantê-la forte. Por isso eu disse nas redes sociais e repito aqui: Headbanger de verdade, estava no GRAB naquela noite do dia 13 de Janeiro, presenciando o Onslaught que sabe-se lá quando esses caras terão a chance de tocar por aqui de novo. Já shows covers, podemos ter toda semana, não acham? Você pode estar pensando agora: “Ah, mas são públicos diferentes!”. Será mesmo? E se naquela sexta feira, tivesse apenas o show do Onslaught, muita gente que foi ao Cover não iria querer conhecer o trabalho do Onslaught? Ou até mesmo alguém que esteja querendo se aproximar mais da cena underground autoral, mas que por comodismo foi ao show cover, não iria para o Onslaught para conhecer a banda ou até mesmo que fosse apenas para ficar próximo de outros headbangers? Daqui podem partir vários questionamentos.

 

Reconhecimento de quem se esforça pelo metal

Fica o muito obrigado e muitos agradecimentos do Detector de Metal em nome dos Headbangers cearenses ao Gino Metal, que mesmo com os seus contratempos e correrias, conseguiu nos fornecer uma noite memorável e histórica com Thrash Metal autoral de qualidade. Sabemos que não é fácil, Gino. Você tem o nosso total apoio e compreensão.

Devo registrar também aqueles que estão sempre na batalha, Emydio Filho e Maciel Souza, levando produtos de suas lojas até o público, Elineudo e a galera da Planet CD’s sempre presente nos shows. À todos que produzem shows, sejam eles undergrounds ou não, a galera que divulga evento nas redes sociais (Rey Thrash, Helton Feijó, George Frizzo, Henrique Lima e mais uma galera), e sem contar o pessoal que auxilia no som, transporte de equipamento, montagem, roadies.. enfim, obrigado a vocês (não citei nomes pois eu não os conheço ainda, mas saibam que meu facebook está aberto à todos). David Barroso é o próximo que precisa de todo o nosso apoio, não só o meu, mas de todos os Headbangers! Encontro vocês no II Maximum Violence!! HAIL!

 

Agenda pela frente 

II Maximum Festival

Hoje é dia De Rock

Belphegor em Fortaleza

Sonata Arctica em Fortaleza

 

Sobre o que você leu: Show do Onslaught

Realização: Gino Metal

Autor: Gustavo Queiroz

12 comentários

  1. De maneira alguma o evento do Armazém atrapalhou o show do Onslaught, são públicos completamente distintos. Os problemas são outros e que precisam ser revistos e solucionados o mais urgente possível a fim de não prejudicar projetos futuros.

  2. De maneira alguma o evento do Armazém atrapalhou o show do Onslaught, são públicos completamente distintos. Os problemas são outros e que precisam ser revistos e solucionados o mais urgente possível a fim de não prejudicar projetos futuros.

  3. Acho que a falta de divulgação foi o fator que mais contribuiu para o baixo público no evento dá Onslaught, além disso, fazer um evento com uma banda internacional em um local com a estrutura precária como o Boca rica e cobrar 70R$ pelo ingresso, foi um outro fator, também teve mudança de local do evento de última hora… Eu sinceramente não vi divulgação do evento da Onslaught nas ruas, já pelo outro lado, o evento do armazém tinha bastante divulgação… Eu particularmente não acho que um evento cover atrapalha um outro evento de Rock internacional que venha a acontecer na cidade na mesma noite, show cover tem toda semana…!!! Se a banda Onslaught e internacional e conceituada, não deveria ter público…??? Bandas conceituadas não perdem público para bandas covers… O que faltou mesmo foi organização e divulgação do evento, não tem o que questiona.

  4. Acho que a falta de divulgação foi o fator que mais contribuiu para o baixo público no evento dá Onslaught, além disso, fazer um evento com uma banda internacional em um local com a estrutura precária como o Boca rica e cobrar 70R$ pelo ingresso, foi um outro fator, também teve mudança de local do evento de última hora… Eu sinceramente não vi divulgação do evento da Onslaught nas ruas, já pelo outro lado, o evento do armazém tinha bastante divulgação… Eu particularmente não acho que um evento cover atrapalha um outro evento de Rock internacional que venha a acontecer na cidade na mesma noite, show cover tem toda semana…!!! Se a banda Onslaught e internacional e conceituada, não deveria ter público…??? Bandas conceituadas não perdem público para bandas covers… O que faltou mesmo foi organização e divulgação do evento, não tem o que questiona.

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