O intrigante caso dos dois Batushkas
21/07/2019 | Por
Batushka

Entenda o que aconteceu com os dois Batushkas

Texto por: George Frizzo

Quando os poloneses do Batushka lançaram seu disco de estreia, o elogiado, “Litourgiya” (Witching Hour Productions), em 2015. os bangers, principalmente os fãs de Black Metal, imediatamente ligaram suas antenas em direção ao Black Metal sombrio e original, apresentado nas oito músicas que permeiam o álbum. Sempre mantendo o line up anônimo, sem revelar suas próprias identidades, alguns fãs afirmavam que o Batushka era uma reunião de super músicos poloneses, incluindo membros do Behemoth, entre outras bandas polonesas, na formação desconhecida. Alguns diziam que a banda cantava em russo (mesmo a banda sendo polonesa), outros, mais radicais, acusavam do Batushka, cujo o nome pode ser traduzido como monje/sacerdote, de serem uma banda religiosa cristã, e outras bobagens. Até o vocalista, guitarrista e líder do Behemoth, Adam “Nergal “ Darski, se manifestou tentando explicar o teor controverso das letras do Batushka. Verdadeiras orações eclesiásticas, escritas no idioma eslavo inspirados pela igreja ortodoxa antiga. O que, para alguns fãs mais radicais, ainda deixava dúvidas de serem ou não uma banda satânica ou apenas controversa.. Porém nada disso ofuscou o brilho de “Litourgiya”, e o Batushka seguiu com seu som intrigante e sua misteriosa celebração ao Black Metal.Litourgiya

Nos anos que se seguiram “Litourgiya” foi recebendo vários relançamentos, inclusive nos formatos vinil, k7, e até em luxuosos boxes de madeira, onde vinha um pôster junto com o disco, em outro trazia cartões, uma palheta e um mega encarte. Enquanto a banda marcava presença em diversos shows e era convidada para vários festivais pela Europa (Brutal Assault, Devilstone,
Resurrection Fest e Hellfest), os fãs iam alimentando sua expectativa pelo sucessor do álbum de estreia. Em 2018 “Litourgiya” é, finalmente, lançado no Brasil, pelo selo Hammer of Damnation. E em maio, do mesmo ano, a banda faz sua primeira e única apresentação em solo brasileiro. Evento que aconteceu no Fabrique Club, em São Paulo.

Ao vivo a banda adota uma postura solene, todos vestidos de hábitos religiosos. em meio a objetos cerimoniais, púlpito, candelabros e crânios distribuídos pelo palco. Uma apresentação que beirava uma verdadeira missa sombria, uma celebração litúrgica obscura e conceitual. Corta!

Batushka

Estamos em dezembro de 2018. O líder e mentor criativo (que gravou a maioria do disco, autor das letras, da ideia conceitual e, também, da pintura na capa de “Litourgiya”), Krzysztof Drabikowski, conhecido como monje Кристофор, solta uma declaração pelo Youtube alegando que perdeu o controle sobre o site do Batushka, a página do Facebook, a loja virtual e a conta do Instagram. E a coisa parecia piorar; o vocalista Bartlomiej Krysiuk, monje Варфоломей, que entrou na banda no final do processo de gravação, para colocar os vocais, sob a orientação de Krzysztof, em “Litourgiya”, estava, simplesmente, tomando conta dos negócios, deixando Krysztof completamente por fora de tudo.

Segundo Krysztof, Bartlomiej Krysiuk, “Bart” como é chamado, registrou a marca Batushka em seu nome e estava recrutando novos músicos para gravar, o que parecia a ser o segundo disco do Batushka, totalmente sem o conhecimento dele. A partir do início de 2019 começamos a acompanhar uma disputa, inclusive judicial, entre dois lados do mesmo Batushka. Guitarrista e criador versus vocalista, disputando, entre outras coisas, o lançamento do tão aguardado segundo disco da banda. Aos poucos teasers, vídeos com pequenos trechos de novas músicas, iam surgindo pelo youtube. “Песнь 1”, vinha com o seguinte aviso escrito no primeiro comentário “Música de ‘Panihida’, disco do compositor e autor das letras: Krzysztof Drabikowski, 2019”. Quase ao mesmo tempo, dando um nó na em nossas cabeças, surgiram os vídeos, “Chapter I: The Emptiness” e “Chapter II: The Carpenter” (saindo depois os vídeos “Chapter III”, “Chapter IV” e, mais recente, “Chapter V: Funeral”).

Os vídeos causaram uma certa revolta e declarações depreciativas como “Fake! (falso)”, “Faketushka!”, “Batu$hka” e “Thieves (ladrões)”, começaram a aparecer nos comentários, até esse recurso ser desabilitado pela Metal Blade Records, gravadora americana que endossaria o novo disco encabeçado por Bart.

Panihida“Panihida” versus “Hospodi” … Maio de 2019, “Panihida”, o tão aguardado segundo disco dos poloneses, finalmente sai, quebrando o longo silêncio. Lançado diretamente através da plataforma Bandcamp, de imediato um bom sinal, a capa mantinha as mesmas referências gráficas apresentadas em “Litourgiya”. O disco novo, gravado por Krysztof, original mentor da banda, em seu estúdio particular, Sphieratz Studio, em Sobolewo (Polônia), traz oito faixas, todas chamadas de “Песнь” (canção, em tradução livre), que soam perfeitamente uma continuação natural do primeiro disco. Vocais cortantes costurando melodias ritualísticas e riffs contundentes. As músicas estão bem mais diretas, nos poupando, de certa forma, dos silêncios que, em alguns momentos, permeavam “Litourgiya”. “Panihida” soa um Batushka urgente, direto e ao mesmo tempo cativante, correspondendo a todas as expectativas de quem tinha “Litourgiya” em mente para o disco seguinte.

bathuska - hospodiCerca de um mês depois, em 12 de julho era anunciado como dia do lançamento oficial de “Hospodi”, o segundo disco do Batushka, este artisticamente direcionado por Krysiuk. Lançado com toda a pompa que a Metal Blade Records podia dispor, o disco saiu em várias plataformas de streaming, Spotify, Deezer, iTunes, Bandcamp, etc, além de formatos físicos CD, vinil (diversas cores) e varias configurações de Boxes (em uma versão, além dos discos em CD e vinil, trazia um DVD, incenso, velas, palhetas e um botton). Coisa para fã nenhum botar defeito. Mas e o som? Em “Hospodi”, Krysiuk faz o que sabe fazer, colocar pompa e distribuí-las pelas dez faixas do disco, deixando-as soar bastante interessantes. Músicas climáticas, vezes pesadas e, também, alguns clichês, é verdade. Aqui vemos o Black Metal dando caminho para um Doom Metal mais cadenciado e atmosférico.

“Hospodi” está longe de ser um disco ruim, pelo contrário, é verdadeiramente muito bom (em minha humilde opinião), mas, definitivamente, não soa como um disco do Batushka, e sim como o disco de uma nova banda, diferente. Recentemente a corte polonesa da cidade de Bialystok, determinou que nem Bartlomiej nem Krysztof ainda são donos oficiais do nome e marca “Batushka”, permitindo que ambos possam tocar e lançar músicas com o nome, assim como operar sua marca sob ela enquanto o processo continua. Assim, permitindo com que a banda com o nome Batushka, montada por Bartlomiej Krysiuk, possa seguir em turnê, divulgando “Hospodi”. Enquanto Krzysztof Drabikowski promove o lançamento de “Panihida”. Para nós, fãs (e me incluo nesse grupo) sós nos resta aguardar o desfecho dessa novela polonesa.

Hospodi

Links:
Discos
Bandcamp de Panihida , segundo disco do Batushka, gravado por Krzysztof Drabikowski, líder e criador.

Bandcamp de Hospodi , segundo disco do Batushka, gravado por Bartlomiej Krysiuk, lançado pela Metal Blade Records.

Vídeos
Батюшка – Песнь 1 ( Batushka – Pecn' 1) (Batushka de Krzysztof Drabikowski)

Chapter I: The Emptiness – Polunosznica (Batushka de Bartlomiej Krysiuk)

Declaração do guitarrista Krzysztof Drabikowski:

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