Netuno Doom musicaliza o horror Sci Fi com Cyberpunk em novo EP
02/07/2019 | Por

“Esses Grandes Antigos, prosseguiu Castro, não se compunham inteiramente de carne e ossos. Tinham forma que não era feita de matéria. Quando as estrelas assumiam a configuração correta, Eles podiam transportar-se de um mundo para outro pelo espaço sideral; mas quando as estrelas não eram favoráveis, Eles não podiam viver”. O trecho de H.P. Lovecraft, retirado do famoso conto “O Chamado de Cthulhu”, é um dos vários momentos em que o autor guia os seus leitores a se entregarem à imaginação de sua descrição temática em volta das criaturas cósmicas. Tal conceito tem se tornado referência em muitas manifestações artísticas, afinal, por definição, arte busca levar o interessado a uma viagem pessoal de reflexão e imaginação. O trecho citado vem da literatura, na qual podemos dizer ser a pioneira de tudo, mas hoje já encontramos artistas atuando com tal finalidade também por meio da música.

Fortaleza hoje já não tem somente bandas de metal extremo em evidência. A “Nova Onda de Heavy Metal Tradicional Cearense” cresce rápido há um tempo com a ascensão de bons nomes como Omminous, Hellhoundz, Killin Ground, Scariotz e Steel Hands, acompanhados pelos veteranos da Oráculo. As cenas de “rock clássico”, “hardcore” e “hard rock” também vêm fazendo um belo papel no que se refere a produção de bons eventos e CDs físicos. E é vagando entre estes universos que se destaca a Netuno Doom, uma banda de Doom Metal com fortes influências de Stoner e Sludge criada em 2016. O trio formado por Adriano Alves, Hewerson Freitas e Bosco Lacerda vai muito além do que apenas rótulos impostos pela indústria fonográfica a fim de classificá-los. A banda apresenta em sua musicalidade, elementos psicodélicos do horror sci fi e cyberpunk, ao mesmo tempo que se influencia de referências ao universo cósmico do autor H.P. Lovecraft.

Tantos elementos interessantes, e até então não muito explorados no rock, estão concentrados no “The Universe The Prison”, primeiro EP do trio. O material alcança quase 40 minutos de duração e pode ser facilmente considerado como um álbum completo, visto que sua classificação como “EP” dá-se apenas por ser composto por cinco faixas. A faixa mais curta fica a cargo de “The Second Sun”com quase 6 minutos de duração, e nem por isso é a menos interessante. A faixa resume bem a essência da banda e nos apresenta os elementos inovadores que uma banda de rock está proposta a apresentar à cena cearense. A faixa também é considerada como um single do trio e ganhou um videoclipe em 2017, em que mostra os três músicos a executando dentro de um estúdio.

Riffs longos e densos, que dão a tradicional cara do gênero Stoner e Sludge, são facilmente encontrados na faixa “Galactic Empire Of Doom” juntamente com elementos eletrônicos que completam a ambiência galáctica e apocalíptica presente em todo o EP. Mas se engana quem acha que a banda permeia somente entre momentos lentos e densos. Vez ou outra o trio nos apresenta uma certa velocidade e agressividade, o que torna o seu som versátil e inesperado, já que eles ocorrem quando a gente menos espera.

A maioria das faixas são de aproximadamente seis minutos e outras até ultrapassam isso. Elas são bem dosadas com momentos mais instrumental e momentos com letra, o que contribui para o EP chegar a marca de quase 40 minutos de duração no total. Mas são 40 minutos bem prazerosos de se escutar. O disco físico tem uma boa apresentação, tanto sonora quanto na qualidade da masterização e mixagem. Ele foi produzido no formato de caixa de acrílico e há um encarte com boas fotos acompanhadas com as letras das músicas e agradecimentos da banda à parceiros e amigos no seu interior. Mas além de ter se preocupado com a distribuição física do seu primeiro trabalho, a banda também disponibilizou o EP em todas as plataformas de streaming. Basta escolher a de sua preferência e dar o play para esta verdadeira viagem cósmica.

A arte foi desenvolvida por Iury Malakai e Atila Tahim, que sintetizaram bem os sentimentos do “The Universe The Prison”, onde segundo a banda, “uma entidade alien foi deixada pra morrer em um mundo desolado perto de um abismo estelar, um devorador de mundos, um buraco negro”. O trabalho fica em outro nível quando se é produzido em parceria com artistas gráficos que desenham tudo à mão. Sem dúvidas é um disco obrigatório na coleção de qualquer amante de Rock N’ Roll e Heavy Metal.

Referências Doom

Bebendo muito da fonte de H.P. Lovecraft, a Netuno Doom traz esse conceito cósmico e universal do que nos sugere ser algo colossal e inimaginável ao leitor, mas nesse caso, do ouvinte. Além dos contos, filmes e séries também colaboraram para a criação de todo o conceito da banda. Confira as obras a seguir!

“Alien, o Oitavo Passageiro” (Filme, 1979)

“Um lugar silencioso” (Filme, 2018)

“Dr. Who” (Série, 1963)

“2010 o ano em que faremos contato” (Filme, 1984)

“Bird Box” (Filme, 2018)

“Dr. Who” (Série, 1963)

“Star Wars” (Filme, 1977)

“Hellboy” (Filme, 2004)

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