Life in Grave: “Percebemos que também estamos tendo que sobreviver ao vírus covid-17”, comenta a banda sobre o novo EP
25/08/2020 | Por
Life in Grave, Thrashcore Brasil

A matéria a seguir é um híbrido de resenha do EP Graveweed com uma entrevista no final

A banda de thrashcore Life in Grave surge no Distrito Federal em 2020 já lançando um EP destruidor, com faixas rápidas, completamente paralisante ao conciliar a temática social da covid e todos os estragos causados pelo nosso despreparado governo com o jeito cômico do powerviolence sem tirar a importância e seriedade do tema. A Life in Grave tem potencial para ser uma das melhores do gênero no Brasil.

A banda é formada por André Pinga no vocal, também membro da Malicious Intent (death metal carregado de blast e pegada crust) e da Acid Speech (thrash metal), Jeferson Bagaça na guitarra, Mike Knight no baixo e Gabriel Zenon na bateria, também membro da Evil Corpse (thrash metal) e Tean Zu (death thrash), todas de Brasília.

Life in Grave, Thrashcore Brasil
Formação de membros, Life in Grave.

O EP Graveweed foi lançado em junho de 2020 e distribuído nas plataformas Bandcamp e Youtube pela própria banda. O EP conta com o total de 6 faixas curtas, que variam entre 40 segundos e 1 minuto, letras diretas, ironizadas, bateria 4 por 4, e vocal característico do gênero.

O disco abre com a faixa Covid-17, um trocadilho entre o nome científico do vírus e o número de eleição do “coiso”, como forma de ironizar tal governo e responsabilizar seus apoiadores pelo contagio estúpido que aconteceu no Brasil com as manifestações contra isolamento vinculadas a essa figura política. A faixa inicia com recorte do pronunciamento dado por Bolsonaro no YouTube ainda no inicio da proliferação do vírus, em um momento decisivo entre vida e morte de mais de 100 mil pessoas abaixo desse governo, e segue com um instrumental tradicional thrash, tranquilo, aquecendo o ouvindo para a sonoridade que estar por vir.

A segunda faixa do EP, Mask of Dirty Life and Toxic, com letras que fazem analogia entre as máscaras de proteção e as máscaras que as pessoas usam em suas vidas para esconder suas próprias sujeiras. Já na terceira faixa, NoReason to Care or Life, a letra deixa explicita a critica a tal postura negligente:

“Sem motivos para se importar se alguém vive, existência assombrada por um parasita da rivalidade humana. Envenenadas, as mãos do poderoso dominador deveria ter vergonha de si, a beira de um desastre biológico, enquanto corremos de vestas matadoras. Levante seus joelhos para o inimigo, como qualquer outra vida insignificante.”

A quarta faixa, In a World Where Easy to Die, começa com os clássico Melvins and Butthead, e aborda a destruição pelos temperamentos inflamados comparando a incineração de corpos em fogo ardente.

Life in Grave, Clip: Day of the Dead
Life in Grave, Clip: Day of the Dead

A penúltima faixa, Graveweed, que dá título ao disco, conta a história de “ervas daninhas” que cresceram no cemitério meio aos resíduos humanos, e quando fumada, transforma a pessoa em um ser imortal faminto por cadáveres como forma de brincar com a ideia moralista que se tem dos usuários”. A música ganha um movieclip do filme Dia dos Mortos (1985) editado por Ulysses Pereira, amigo da banda. O álbum se encerra com a faixa Global Madness, que volta a musicalidade do hardcore/crossover da virada para os anos 80, na linha do D.R.I. e Suicidal Tendencies.

O disco entra em várias pautas sociais com muito humor e thrash metal grosseiro, seguindo a linha Do It Yourself, com produção caseira e bastante tematizada pelos atuais acontecimentos. Esperamos que a primeira e terceira faixa deixem de ser uma realidade e sejam mais como documentação histórica através da expressão musical. Certamente a Life in Grave balançou a produção musical no DF mostrando exatamente onde a música extrema se encontra com as questões políticas.

Convidamos a Life in Grave para uma pequena entrevista sobre como se posicionam diante do assunto, como se desenrolou a produção, e futuras perspectivas da banda. André Pinga, vocalista da Life in Grave responde.

Qual foi o maior desafio de vocês na produção do Graveweed? Como se desenrolou essa produção?

[André Pinga]: O maior desafio pra gente foi se locomover de nossas casas para se juntar em meio a uma pandemia mortal!! Fizemos isso com todos os cuidados devidos e acabou dando certo de concluir a gravação. O baterista (Gabriel Zenon) gravou a bateria e as guitarras na casa do produtor Yuri Moraes, enquanto eu, e o guitarra (Jeferson Bagaça) nos encarregamos do restante da produção. Logo após a gravação, deixamos nas mãos de Yuri Morais. O guitarrista e eu ajeitamos uns detalhes de vocal e de backvocal, mixamos e masterizamos tudo. Ele produziu na casa dele e nos mandou o projeto com muito tampo adiantado, o que nos deixou bem contentes com o resultado. A vinheta da instrumental Covid 17 também foi ideia minha e do guitarrista como uma forma de ironizar o “bozonaro”.

Quando foi que caiu a ficha que vocês precisavam abordar a covid nas letras?

[André Pinga]: Eu já pensava em criar alguma letra ofensiva a este ser estúpido!! Quando decidimos a instrumental, me veio na cabeça os discursos sem noção dele sobre a pandemia. Foi exatamente quando percebi que não estamos apenas tendo que sobreviver ao corona, mas também a este desgoverno!! Juntei uma coisa com a outra e ficou Covid 17 (risos).

Vocês pensam em lançar disco novo? Estão produzindo ou pretendem fazer show em data oportuna?

[André Pinga]: Recentemente estamos em parceria com o selo brasileiro ”Thrash or Death Rec” do querido Geni, grande figura da cena nacional que nos deu essa imensa oportunidade de entrar para a família de bandas da gravadora. A Thrash or Death Records vai apresentar o Single em breve como uma prévia do álbum. O single que acabamos de gravar se chama Epidemic Out Of Control e logo em seguida lançará o nosso primeiro full álbum, que será gravado ainda este ano, e que receberá o nome de Country in Toxic Carnage. Estamos muito empolgados com essa parceria e bastante felizes pela oportunidade de trabalhar com um selo de responsa como a Thrash or Death.

O que vocês pensam sobre “metal politizado”? Vocês se identificam com essa denominação ou o disco foi mais uma expressão de revolta?

[André Pinga]: Somos sim uma banda totalmente politizada que se declara de esquerda e contra qualquer tipo de fascismo!! A gente concorda que o metal é um movimento politizado, sempre foi e sempre será!! Não é apenas uma revolta, é também nossa visão nas letras em formato de cobrança contra todo o sistema de governo que tem como objetivo destruir e fazer sumir, a nós, a minoria e a todos que vivem em periferia!! Somos parte da resistência que vive no submundo, lutamos e colocamos isso em nossas letras.

Membros:

  • André Pinga – Vocal
  • Jeferson Bagaça – Guitarra
  • Mike Knight – Baixo
  • Gabriel Zenon – Bateria

Tracklist:

  1. Covid-17
  2. Mask of life dirty and toxic
  3. No reason to care or alive
  4. In a world where easy to die
  5. Graveweed
  6. Global Madness

Social Mídia: Facebook  | Bandcamp

 

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