Korzus: Entrevista com Marcello Pompeu
26/03/2019 | Por
Korzus: Entrevista com Marcello Pompeu

Estas perguntas estavam guardadas desde o ano passado, na tentativa de ter entrevistado o Marcello durante sua passagem por Fortaleza com o Korzus para tocar no festival Ponto.CE. Como não rolou gravar o vídeo, entrei em contato com a Assessoria MP por meio de Isabele Miranda, assessora do Korzus. Readaptei as perguntas para um contexto mais atual e a seguir você pode conferir este papo com o grande Pompeu. Sobre o show que o Korzus tocou em Fortaleza no ano passado, eu estive lá e fiz uma cobertura pro canal (assista clicando aqui).

Gustavo: Olá Pompeu, obrigado pela disponibilidade de falar com o Detector de Metal. Preciso ressaltar que o primeiro vídeo aqui do canal foi sobre o Legion e isso marcou o início de tudo. O Korzus aí quase com 35 anos de carreira. Na sua opinião, qual foi o primeiro momento que, digamos, deu luz ao Korzus, fez a banda nascer? Seria a presença da música guerreiros do metal na coletânea SP Metal 2 de 85?

Pompeu: Sim, o SP Metal foi o ponta pé inicial em nossa carreira de uma forma profissional. Antes nós existíamos, mas na garagem.

Gustavo: Você ainda vê importância em coletâneas nos dias atuais para a divulgação de bandas pelo mundo?

Pompeu: Claro. Todas forma de divulgação é válida, das antigas as mais modernas.

Gustavo: Como você avalia hoje a carreira do Korzus? Houveram momentos em que você gostaria de voltar e ter feito alguma coisa diferente?

Pompeu: Sempre pensamos assim quando nossa vida em uma banda atinge quase 36 anos, isso é normal, pois estamos mais experientes, mais inteligentes e, o principal, mais respeitados.

Gustavo: Em diversas entrevistas você fala que vem de uma origem humilde. Claro que com muita luta a gente consegue conquistar as coisas, mas você acredita que o Metal e o Korzus foram o suficiente e principais incentivadores para você mudar sua vida?

Pompeu: Tudo foi uma batalha, seja onde fosse que eu resolvesse me dedicar profissionalmente, eu cresceria. Tive base de educação com meus pais, fui amado e toda a vida deles dedicada a mim, indiferente da classe social. Na minha casa era puro amor, a música e o metal em especial foi onde me encontrei. Juro a você que jamais imaginei me tornar um artista de verdade.

Gustavo: Na sua opinião, quais os novos desafios que se chega a uma banda brasileira quando se assina um contrato com uma gravadora gringa?

Pompeu: Provar que é bom em todas as categorias e até mesmo aquele tal de “o que passa pela cabeça deles”.

Gustavo: Como você vê as bandas novas e o atual “mercado”, se é que podemos chamar de mercado, para estas bandas novas de metal?

Pompeu: Vejo que as bandas novas daqui cometem os mesmos erros da minha geração. Não procuram ter uma sonoridade única quanto lá fora. É só ouvir as bandas novas daqui e já saberá como está lá fora (risos). Nós do Korzus iremos nadar contra essa maré. Todos indo para o norte e nós para o sul.

Gustavo: Há alguma banda que você para e pensa: “Uau, essa galera é boa” ? Se sim, quem?

Pompeu: Claro! O Mothera. Molecada do caralho! Sigam aí nas redes sociais: facebook.com/MOTHERA.Banda e Instagram: @motheraoficial. Inclusive estão com um trampo novo aí!

Gustavo: Nos dias de hoje, onde e como você acredita que uma banda pode ganhar dinheiro? Seria na sequência desenfreada de shows (Ex: TourBUS do Torture Squad) ou na enorme quantidade de merchandising, como um caminho para se conseguir um retorno financeiro?

Pompeu: Tudo isso! Mas sem ser alguém na cena, nada disso virá! Então vai ter que ficar um bom tempo sem ganhar para só depois ser conhecido. Aí é que mora seu verdadeiro valor e amor pelo metal.

Gustavo: Eu vi um post seu no Facebook em que você compartilhou um post da banda Oficina G3, que é uma banda cristã. Como você vê hoje essa rixa entre bandas de Black que se recusam a tocar com bandas de White? E qual sua posição sobre bandas cristãs. Você trabalha com algumas delas, não é?

Pompeu: Essa rixa (risos). Problema deles! E garanto também que bandas de white se recusam a tocar com as de black. Minha posição é bem clara! Não me importo com cover ou autoral, o importante é tocar metal. Acho que define, né? Quanto a trabalhar na área de produção musical, tanto faz se é black, white, blue ou red, se precisarem de mim e minha experiência, lá eu estarei!

Vamos falar agora um pouco dos discos do Korzus.

Gustavo: Você se arrepende de ter escrito as letras do disco Sonho Maníaco? Foi proposital ele ser tão podrão?

Pompeu: Não me arrependo. Não acho que ele era padrão para a época. Acho até que foi o primeiro trabalho Black Metal poderoso brasileiro, digo isso porque.. deixa pra lá (risos).

Gustavo: No EP “Pay For Your Lies”, tem uma música chamada “Elm Street”, que é a rua onde ocorrem os pesadelos da galera nos filmes “A Hora do Pesadelo”, com aparição do clássico Freddy Krueger. A música tem inspiração no filme? Ainda estendendo a pergunta. O Korzus gosta e/ou se inspira em filmes de terror na hora de compor?

Pompeu: Sim, totalmente no filme. Éramos vidrados na Hora do Pesadelo. Temos algumas músicas baseadas em filmes sim, nesse mesmo disco tem a “Born To Kill” também.

Gustavo: O Korzus começou com letras em português, depois passou a fazer discos com letras em Inglês. Houve algum motivo específico para esta mudança? Vocês queriam alcançar o mercado internacional com tal medida?

Pompeu: Sim, foi puramente para abrir fronteiras.

Gustavo: A música “Correria”, do disco “Ties of Blood”, foi a primeira música em Português depois de um período apenas com discos em inglês, a ingressar em um disco do Korzus. De onde veio essa ideia de por ao menos 1 música em português nos discos seguintes aos Ties of Blood?

Pompeu: Coisa minha! Visão social dos brasileiros, muitas batalhas, muito a fazer em pouco tempo, além também daquele lance de virarem as costas depois de tanto você ter feito a favor de A ou B.

Gustavo: O Mass Illusion tem uma música cover do Ultraje a Rigor, a clássica “Inútil”. A banda ultraje seria uma influência para vocês ou a escolha da música deu-se mais por uma questão política?

Pompeu: Foi apenas por zoeira, nada sério.

Gustavo: E sobre o disco novo. Quando ele sai? O que você pode nos revelar sobre ele.

Pompeu: Estamos formatando como ele será, para começar a composição. Tem uma música que vai sair logo menos e ela se chama “You Can’t Stop Me”, onde talvez falamos um clipe dela, sei la (risos). Mas esse ano daremos um grande passo para o novo álbum.

Gustavo: Você é dono do estúdio Mr. Som já há mais de 20 anos. Como você se interessou e ingressou nesse mundo da produção musical? Claro que o seu papel no Korzus deve ter tido uma influência.

Pompeu: Olha, foi muito de acompanhar as produções do Korzus. Acho que o Steve Evets foi uma grande influência! Outro lance, eu sempre me metia nas produções dos meus amigos, dando um gás e acabava virando o produtor. Comecei a ser requisitado e percebi que tinha que ter meu espaço, daí juntei grana e fui atrás.

Gustavo: A falta de profissionais da área levou você a estudar e produzir por conta própria os discos do Korzus? E como você vê hoje o mercado de produção musical no Brasil?

Pompeu: Hoje nem se compara aos anos 90, quando eu comecei.

Gustavo: O seu estúdio teve uma pitada de “Vou tentar ajudar essa galera a lançar CDs”, ou você sempre teve uma visão empresarial do que o estúdio te traria?

Pompeu: Sempre quis ajudar as pessoas a terem bons trabalhos. Vi um mercado aí e também para poder deixar a sonoridade da cena melhor. Acho que incentivei muita gente que esta nessa hoje.

Gustavo: Muita gente lhe associa como o “Pompeu do Korzus”. Mas eu quero saber, quem é o Pompeu quando não está em trabalho com o Korzus?

Pompeu: Um cara normal, que ri, que chora, que se dá bem, que se fode, que ama, que batalha, que acerta, que erra como qualquer um. Só não é mau, não é violento, não é vingativo, não guarda rancor, que perdoa a todos e que procura ser justo no equilíbrio do histórico da pessoa e não em um ato que me desagrade.

Gustavo: E para a última pergunta: Quais são os planos da banda para 2019? Quais os shows marcados? O espaço é seu.

Pompeu: O plano é o disco novo. É o livro da banda, relançamentos em vinil, nova linha merchandising e, quanto as datas, saberão via internet.

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