Klaus Meine: Esta talvez não seja a última turnê?
18/06/2016 | Por

O vocalista do Scorpions Klaus Meine concedeu uma entrevista ao portal #vamosmusicalizar. E dentre os vários assuntos abordados estão sobre o fato da atual turnê ser ou não a última da banda, o lendário show no Rock In Rio I e sobrou até para falar do famoso Brasil 1 x 7 Alemanha. Confiram os melhores trechos:

Depois de 50 anos tocando por todo o mundo, o que inspira o Scorpions a criar novas músicas?

Eu acho que são os fãs. É uma honra para nós poder tocar para três gerações de pessoas. Isso é muito motivador. Acho que por causa das mídias sociais, há uma nova geração de fãs de rock, e isso é muito divertido, nos faz querer criar novas músicas e continuar tocando.

Você disse sobre a nova geração de fãs, como você vê o cenário atual da música? Você acha que essa “cultura dos downloads” realmente afetou o rock n’ roll?

Eu não sei… realmente não sei a resposta. Porque você escreve uma música e hoje tem uma nova forma de apresentar sua música para todo o mundo. Você pode escrever uma música como um anônimo, sentar em frente uma câmera e o mundo todo está vendo aquilo. Pode começar a fazer uma carreira com apenas uma música e atingir o mundo todo. É tão diferente hoje… Eu vim da velha escola, onde começamos a tocar em clubes e agora lotamos arenas por todo o mundo. E a nova geração começou a descobrir os vinis de novo. Sabe, com todas essas coisas, Spotify, iTunes, a música está a apenas um clique, você pode ouvir milhões de músicas, mas você não precisa ter todas. Mas quando você tem um álbum, você quer segurar em sua mão, é o seu álbum, você quer escutar ele do início ao fim! E hoje é tudo muito diferente, se você gosta de uma música, você baixa apenas ela, e talvez se esqueça desta canção amanhã. Mas para os verdadeiros fãs, até na nova geração, eles querem acompanhar o artista, saber de tudo, escutar tudo.

Não há dúvidas de que o Scorpions já fez algumas turnês de “despedidas”. Mas está comemorando o aniversário de 50 anos, o último álbum se chama ‘Return to Forever’, é um sinal de que o Scorpions vai durar para sempre?

(Risos) Isso seria muito bom para ser verdade (risos)! Sempre deixamos a água correr pelo rio, mas o rio se tornou um mar aberto, nós apenas deixamos rolar e as coisas vão acontecendo e vemos o que a vida traz. Neste momento, estamos na metade da turnê, que acaba no fim do ano, quando terminar, vamos ver o que a vida vai trazer, não há futuro planejado agora, vamos ver o que vai acontecer.

E o que os fãs podem esperar para esta turnê no Brasil? Um setlist de clássicos, ou algo do lado B, com o material novo?

Tocaremos um setlist bem misturado, com canções dos anos 70, claro, alguns clássicos, com algumas músicas dos nossos últimos discos. É um bom equilíbrio, quero dizer, será um grande show de rock. Queremos que todos tenhamos uma boa noite juntos em São Paulo, Fortaleza e Rio de Janeiro.

De volta a 1985, como foi tocar no Rock in Rio? Como é tocar para 100 mil pessoas, com bandas como o AC/DC? Quais são suas lembranças sobre aquela noite?

Eu acho que quando você toca na frente de 100 mil pessoas, você fica como: “Uau!” (risos). É algo que você não espera nunca. Foi incrível tocar com bandas como o AC/DC, Queen, e todas aquelas bandas. Tivemos um tempo no Rio, cantando na “Cidade Maravilhosa!”, sem dúvidas foi um dos melhores momentos da carreira do Scorpions. O Rock in Rio, especialmente o primeiro, é algo que você nunca vai esquecer. Lembro de ter hospedado no Copacabana Palace junto com o AC/DC, e ficamos muito naquela praia linda. Desde então, ficamos muito próximos dos caras do AC/DC, até hoje.

Agora um assunto que não é tão bom para os brasileiros, mas ótimo para os alemães, o jogo entre Brasil e Alemanha pela Copa do Mundo de 2014, o 7×1. Como os alemães viram aquele jogo? Porque foi tão inacreditável para nós!

 Oh! Pedro, claro que nós ficamos muito felizes e orgulhosos do time alemão quando eles ganharam a Copa do Mundo. Mas foi muito triste ver o Brasil daquele jeito, a imagem daquele jogador brasileiro chorando até hoje não sai da minha cabeça, partiu meu coração. Você quer ver seu time ganhando, mas não quer ver o outro time do jeito que o Brasil estava, aquilo foi demais para mim. Porque nós somos muito próximos dos brasileiros, e você não quer ver aquilo, foi demais. Nós respeitamos muito o Brasil, vocês são uma das melhores nações do futebol, todos amam futebol, assim como na Alemanha, a Eurocopa começou na sexta-feira (10), na França, ainda bem que voltei a tempo dos EUA, e vou poder ver todos os jogos aqui em casa (risos).

Fonte: #vamosmusicalizar

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