Jupiterian: “O Protosapien tem mais da violência primitiva do Aphotic”, comenta a banda em entrevista ao Detector de Metal
18/07/2020 | Por
Jupiterian fala sobre o Protosapien

Esta entrevista foi idealizada e produzida por Paulo Daniel em parceria com George Frizzo, que foi quem facilitou o nosso acesso à banda. O Jupiterian é uma das bandas undergrounds mais respeitadas atualmente no Brasil e está prestes a lançar um álbum que não sairá no país, apenas no exterior. Entenda melhor sobre isso nesta entrevista na íntegra. Vale lembrar que a banda só dá entrevistas por escrito, portanto, eles não se identificam nas respostas.

1 – Conte um pouco da trajetória do Jupiterian para quem acompanha Detector de Metal e ainda não conhece a banda.

O Jupiterian é uma banda formada em 2013, mas que tomou forma em 2014 quando lançamos o EP Archaic. Esse ano estamos lançando nosso terceiro álbum, o ‘Protosapien’ via Transcending Obscurity Recs. em todos os formatos. Nesse período já fizemos algumas turnês dentro e fora do Brasil, incluindo festivais como Netherlands Deathfest, Into the Abyss Festival na Polônia, Ascension Festival na Islândia e entre outros.

 

Os membros se apresentam encapuzados. (Foto: Paul Verhagen)

2 – Fale sobre o novo álbum “Protosapien”. Desde “Aphotic” é possível notar uma evolução na sonoridade da banda. Sendo assim, o que fãs podem esperar de “Protosapien”?

Eu acredito que o Protosapien tem mais da violência primitiva do Aphotic, mas mantendo muito da aura do Terraforming. Acho que é um mix entre os dois mas com mais espaço para experimentações. Dentro de cada música tem algum momento que nós não imaginávamos possível nos discos anteriores, mas que nesse álbum foi fundamental para que ele se completasse.

3 – Como se deu processo de criação de “Protosapien”? Como foi trabalhar com Otso Ukkonen e Alan Lima (Mythological Cold Towers, Eternal Malediction, Spell Forest e Vulturine)?

O disco teve 3 momentos no processo de produção. No primeiro nós gravamos as guitarras DI com o Alan, no segundo o Otso veio para o Brasil e gravou a bateria na nossa sala de estúdio e usamos o restante do tempo pra fazer a pré-produção de vocal. No terceiro, nós timbramos as guitarras e vocal com Marcos Cerutti para depois devolvermos pro Otso mixar e masterizar. O caminho foi longo, mas fluiu bem.

4 – Quais as faixas vocês acreditam que terão melhor recepção do público? Os singles Mere Humans e Starless certamente já fazem sucesso… Inclusive Mere Humans conta a participação de Antii do Krypts, certo?

Acho mais difícil eu dizer, cada música tem alguma momento que pode ser mais marcante pra uns e não pra outros. Pelo que tenho lido das pessoas que já ouviram o disco, Earthling Bloodline é uma das mais comentadas, então acho que ficaria com ela. Sim, o Anti fez alguns vocais pra somar aos meus na Mere Humans.

5 – No EP “Urn”, de 2017, temos dois fabulosos covers para músicas do Anathema e do Black Sabbath; Mine Is Yours to Drown In (Ours Is the New Tribe) e Behind
the Wall of Sleep. Fale um pouco como foi a escolha desses covers e o quanto as duas bandas exercem influência no som do Jupiterian.

Sem dúvida tanto o Anathema quanto o Black Sabbath são nossas fundações como banda. Mine is Yours é uma das minhas músicas preferidas do Anathema, e quando começamos a estruturar nossa versão pra depois gravar, isso foi um dos pontos altos naquela época. A Behind the Wall of Sleep foi diferente, nós fomos convidados pela Cvlt Nation a participar do tributo ao primeiro disco do Sabbath e pudemos escolher uma música. Essa música faz muito sentido conceitualmente, mas como ela originalmente é mais rápida, decidimos fazer do nosso jeito, sem nos preocuparmos com a estrutura original.

6 – Até o momento o novo álbum foi lançado pela Transcending Obscurity Records. Alguma previsão ser lançado no Brasil?

No Brasil ele infelizmente não vai ser lançado, porque não conseguimos licenciar o disco por aqui. Vamos receber nossa parte das cópias, assim como alguns outros selos que distribuem também receberão, mas serão as versões originais importadas.

Para aquisição internacional: https://jupiterian.bandcamp.com/

7 – Em 2019, o Jupiterian embarcou em turnê pelo Brasil tendo datas pelo Nordeste. Quais foram as percepções obtidas em relação ao público? É possível afirmar que existem mais pessoas atraídas pelo Funeral Doom Metal no Brasil?

O público do Brasil inteiro foi sensacional, fomos muito bem recebidos em todos os lugares. Todo o público tinha muita expectativa pro nosso show, porque são regiões nas quais não tínhamos tocado antes. Eu não sei dizer se tem mais gente atraída por Funeral Doom. Particularmente não sinto que a banda se aproxima do estilo, usamos elementos e passagens assim, mas acho que estamos longe de poder falar pelo gênero.

8 – Falando em shows, vocês tocaram na Islândia, no Ascension Festival Iceland. Nos fale um pouco dessa experiência.

Tocar no Ascension foi uma experiência daquelas que acontecem uma única vez na vida. Nosso show foi em um horário muito bom, tocamos na sexta-feira (segundo dia de festival) por volta das 18hs, e depois de nós, vieram as bandas grandes como o Zhrine, Drab Majesty, Antaeus, Sinmara. Antes do show foi um pouco tenso porque não pudemos levar nossos instrumentos e tivemos que usar instrumentos emprestados do organizador do festival, mas pegamos eles bem cedo e passamos parte do dia tocando pra nos acostumar, mas deu certo.

9 – Como foi dito acima, Jupiterian é uma banda que demonstra amadurecimento a cada lançamento. Assim, será que podemos esperar novos elementos adicionados ao som no futuro? Digo isso, pois é comum bandas buscarem novas influências dentro do estilo em que o Jupiterian pratica.

Acho que é cedo pra dizer o que esperar. Eu prefiro que nossa música nos leve onde ela quer chegar, e não guiá-la pra onde nós queremos.

10 – Nesses dias de pandemia, estamos debatendo mudanças na musica, seja na forma de consumir, seja forma de fazer, vender o produto etc. Qual a sua
visão sobre os impactos do novo Coronavírus, em especial no underground em que a banda se insere?


Na minha visão o que mais muda é o processo de cada banda, umas vão demorar mais e outras menos pra voltar a ensaiar e conseguir produzir/gravar alguma coisa. Mas em termos de show no underground, as coisas sempre aconteceram nos seus próprios termos e agendas. E vai continuar assim. No momento não dá pra fazer nada, então o que temos que fazer é coletivamente esperar.

11 – Por fim existe alguma previsão de a banda voltar aos palcos? Fique à vontade para deixar uma mensagem aos leitores do Detector de Metal.

Estamos reagendando alguns shows e festivais que estavam na nossa agenda pra 2020 e foram adiados pro ano que vem. Mas o show confirmado mais próximo por hora é em Julho/2021.

 

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