Festival | Resenha do 6º Underground Metal Fest
31/08/2019 | Por

Resenha por: Daniel Tavares

Piratas. Muitos piratas e outras imagens marítimas de bucaneiros, corsários biltres e toda a nata da canalhice e ignonímia marítima ornam o ambiente do Pirata Bar, redescoberto pelo público do Heavy Metal recentemente. O amplo espaço, com grande palco, excelente qualidade de som, múltiplos ambientes, magnificamente decorado (eu repito) mas cervejas não tão baratas, entra para concorrer de igual pra igual com outras praças na preferência dos headbangers. Ao fim do sábado, 17 de agosto, o espaço na boêmia Praia de Iracema mostrara-se ideal para mais um Underground Metal Fest, tradicional festival de metal trazido à Fortaleza pela Underground Produções, Este ano, em sua sexta edição, o festival promovia o retorno dos vizinhos potiguares COMANDO ETÍLICO a Fortaleza, além dos também vizinhos (do Piauí) HELLPOISON e ETERNAL VIOLENCE e dos RATOS DE PORÃO, em formato power-trio, com a ausência de João Gordo, recuperando-se de uma pneumonia insistent. Isso tudo, claro, sem deixar de lado a prata da casa, os cearenses da PRION DC, ENCÉFALO e BLASFEMADOR. Confira abaixo como foi o festival.

HELL POISON

A HELLPOISON, do Piauí (mas com alguns conhecidos membros da cena cearense – Anderson e Mateus – na cozinha) empolgou o público com seu Thrash a la TOXIC HOLOCAUST. Mesmo com público ainda pequeno (o que é até esperado no início de um festival com 7 bandas) lá pela terceira música o mosh já comia solto. E continuou por faixas como “Diabolical Force”. Dizer que Ramon “Deathhammer” Miranda é a alma da banda poderia soar clichê se falássemos de outras bandas, mas, na HELLPOISON, o vocalista e baixista é incontestavelmente a sua força motriz, embora muito bem acompanhado pelos citados Anderson (guitarra) e Mateus (bateria) e pelo guitarrista Júnior.

  1. Intro
  2. No Scape from Satan’s Curse
  3. Knives
  4. Demonic Shock Wave
  5. Possessed
  6. Diabolical Force
  7. Killed By Boss Distortion
  8. Nowhere to Hide
  9. The Evil Invader
  10. Mr. Howdy
  11. Give Your Soul to Hell
  12. Elm Street Nightmare
  13. Mad Rats on the Run
  14. Black RNR
hell-poison
Foto: Chris Machado

PRION DC

Próximo na lista, o power trio PRION DC trouxe o death Metal ao festival. Com um som poderoso, vocais brutais, muito peso, mas riffs calçados no thrash, a banda é uma das mais novas na cena, mas já aparece com bastante potencial. Destaque ainda para os solos de baixo (breves) de Waldenir Prion que apareciam aqui e ali pra galera poder respirar e para a participação de Leonardo Teps (ex-REVEL DECAY) em “Ante Deus Prion”. Nessa, a citada veia Thrash apareceu com mais força, ficando impossível que o público não fizesse roda, que continuou em “Salmoura Química”, ainda com Teps no palco.

  1. Exumador do Espírito
  2. Miasma Fantasma
  3. Sou a Gloria da Morte
  4. A Extinção das Divindades
  5. Resíduo Necrófilo
  6. Ante Deus Prion
  7. Salmoura Química
  8. Destruição do Eden
Foto: Chris Machado

ENCÉFALO

A banda é do Ceará, mas o nível do show seguinte é gringo. Ver a ENCÉFALO no palco é mais uma oportunidade de ver uma banda de nível internacional. Com três álbuns na sacola, cada um melhor que o outro, o trio entregou não menos do que o que se esperava deles: um show matador e que vale a pena acompanhar cada segundo. E foi isso que boa parte do público fez colada ao palco enquanto Rodrigo Falconieri (bateria), Lailton Souza (guitarra), Henrique Monteiro (baixo e vocal) davam aula de um bom e velho e brutal Death Metal.

“Encefa-lô”

“Encefa-lô ”

Gritava o público após “Visceral Sadism”.

  1. Intro
  2. Hell
  3. Despair
  4. My Own Way
  5. Echoes from the Past
  6. Annihilation
  7. Visceral Sadism
  8. Retalliation
  9. Food for Tirany
  10. These Final Roten Days
Foto: Chris Machado

COMANDO ETÍLICO

Uma ode ao metal, representado na banda potiguar COMANDO ETÍLICO. O público vibrava seja nos agudos de Hervall Padilha, nos solos de Lucas Praxedes ou com o belo trabalho da cozinha. A banda lançou este ano o empolgante “Heavy Metal Réu” e, dele, trouxe muitas canções, que, com o sistema de som perfeitamente afinado (como, aliás, pode-se falar do evento como um todo) soava com a qualidade de estúdio, mas com o tesão de apresentação ao vivo.

A COMANDO ETÍLICO é daquelas bandas que não se envergonha de declarar o seu amor ao Heavy Metal em si e em várias canções, como “O Legado”, eles insistem em dizer isso, para encontrar a alegria e empatia dos bangers. Quando chegou a hora de “Ritual”, que inclusive estava sendo pedida aos gritos por alguns desde o início do show, não só o público cantava a letra como alguns ainda receberam o microfone pra cantar o refrão.

  1. Intro
  2. Jonny Letal
  3. Sacrificar
  4. Estação Antiga
  5. Infectado pelo Metal
  6. Heavy Metal Réu
  7. O Pacto
  8. Legado
  9. Ritual
  10. Vomitar
  11. Massacre
Foto: Chris Machado

BLASFEMADOR

A BLASFEMADOR subiu ao palco com tudo e mais um pouco. Além de seu speed metal, da velocidade do seu som, da presença de palco de seu vocalista, Fabrício Moreira, também inovou ao apostar num breve e inesperado show pirotêcnico, uma inovação não comumente vista em shows de metal de bandas locais. Mais tarde, a banda ainda trouxe ao palco um ator encarnando o lendário personagem de Mojica Marins, o Zé do Caixão, para, claro “Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver”. “Amaldiçoados sejam os letárgicos”, disse ele num trecho de seu discurso. Só não havia a quem amaldiçoar, porque letárgico, no Pirata, naquela noite não havia nenhum.

  1. Intro
  2. O Estripador
  3. Traga-me a Cabeça do Rei
  4. Speed Metal Ataque
  5. A Filha das Trevas
  6. Charles Manson
  7. Fome Animal
  8. Destruição Total
  9. Estrada da Fúria
  10. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver
Foto: Chris Machado

ETERNAL VIOLENCE

A BLASFEMADOR entregou o bastão para a ETERNAL VIOLENCE e esta segurou firme e manteve no palco o mesmo clima avassalador. Lá embaixo, porém, o público começava a dar sinais de cansaço ou preservava o gás para receber os RATOS, minutos distantes. Isso não foi motivo de desânimo para Hudson “Evil Thrasher”, ou devemos chamá-lo de Bob Blitz do Piauí, e o resto da banda, Felipe Toxic Force (Baixo), André Death Thrash (Guitarra) & Ramon Deathhammer (Batera – também vocal da HELL POISON), que se entregaram 100% ao show, ou melhor, 666%.

  1. Intro
  2. 666 Volts
  3. Massacre Sangrento
  4. Devastação Radioativa
  5. Ácido e Sangue
  6. Em Eterno Caos
  7. Satanicomando
  8. Maníaco Homicida
  9. Mosh Infernal
  10. Na Lâmina da Guilhotina
  11. NPMS
  12. Maníaco Headbanger
Foto: Chris Machado

RATOS DE PORÃO

Foto: Chris Machado

A atração mais esperada da noite chegou ao som da introdução da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, culminando na narração dos fatídicos gols da Alemanha, na partida que ficou conhecida como Mineiraço, na Copa de 2014. O show também era cercado de curiosidade. Todos queriam saber como se sairia a banda, sempre vista como um quarteto, com apenas três de seus integrantes. João Gordo, o icônico vocalista, tinha voltado recentemente ao hospital para terminar de curar de uma pneumonia, causando temeridade em todo o meio artístico, principalmente depois da irreparável perca de outro ídolo do metal nacional, ANDRE MATOS. Jão, no entanto, tratou de tranquilizar todo mundo logo ao início do show. “Gordo teve alta hoje. Desgraçado”, disse o guitarrista (e, naquela ocasião, também vocalista) em tom de camaradagem. “A gente não queria cancelar esse show. Tomara que vocês se divirtam.” A saber, toda a turnê e todos os restantes shows dos RATOS DE PORÃO em 2019 foram cancelados, ficando apenas as datas no Nordeste e, soubemos mais tarde, o Festival Oxigênio, na capital paulista.

Daí em diante, o show foi uma desgraceira só. As músicas do álbum “Brasil”, o quarto da banda, mas seu maior sucesso, iam sendo derramadas uma a uma diante de uma pequena multidão que só tinha interesse em rodar no mosh até morrer e celebrar aquele Brasil de 1989 que, infelizmente, ainda é o mesmo (mudaram só os nomes – a escrotidão resta inalterada). Dos músicos no palco, embora Jão seja o único que participou da gravação da obra, se pode falar que, Brasileiros que são, todos tem respaldo para assinar as muitas críticas listadas no álbum em forma de grosseria e som, brasileiros que são, portadores de todas aquelas dores. De “Amazônia Nunca Mais” (que pré-anunciava a crise quase mortal em que nos metemos todos a partir deste ano) corremos direto a “Gil Gomes”, talvez a única que ficou datada, se desconsiderarmos as inúmeras crias do jornalista que pipocam nos noticiários “à cabidela” da hora do almoço em todo o país.

Se desde o início do show o público já invadia o palco pra dele pular, o que é bastante corriqueiro em qualquer show dos RATOS e em muitos outros de Thrash, Punk e Crossover, em “Beber Até Morrer” um banger foi além e tomou de assalto o microfone. Jão respondeu de forma simpática (só pediu pra cantar no tempo correto).

O show já aconteceu há alguns dias, então, se o álbum “Brasil”, de 1989, não ficou datado, esta resenha ficou. A polêmica semanal do atual presidente era outra, a da sugestão de, para preservar o meio-ambiente, só fazer o “número 2” em dias alternados. Acerca disso, antes de “Plano Furado”, disse Jão: “O plano agora é o seguinte. Caga dia sim, dia não”, ao que obteve do público: “ei, Bolsonaro, vai tomar no cu”, que se repetiu algumas vezes e em outros momentos distintos. “Ele e a família dele”, respondeu uma vez Jão, referindo-se ao presidente e seus filhos políticos.

Foto: Chris Machado

O álbum estava sendo tocado na íntegra e na ordem. E, como se fosse um LP, Juninho, de camisa vermelha do MST, alerta que é a hora de “virar o disco”. “Qual a primeira do Lado B? Não vale colar”, pergunta ele antes da confusão continuar e, sempre, com muitas críticas ao atual presidente, principalmente em faixas que até pediam isso, como em “Farça Nacionalista” e “Traidor”. Mas ele não é o único homenageado. Brilhante Ulstra também recebe seu “tributo” em “Máquina de Militar”. E assim, com roda no público quase o tempo inteiro (interrompida apenas para que os fãs gritassem várias vezes insistentemente o coro “Ratôs – Ratôs – Ratôs” eles foram até o Chuí do disco de 1989, finalizando com a música de Bezerra da Silva nos falantes. “Se gritar pega ladrão…”

O desempenho de Jão como frontman foi, claro, aquém daquele que originalmente ocupa o posto, mas não deixou a desejar. Se a filosofia dos RATOS encontra em Gordo uma cara, em Jão ela encontra legitimidade para ser declamada em sua ausência. Além disso, sabíamos que o que tínhamos ali era uma unicidade, algo realmente raro de acontecer. Era, portanto, uma oportunidade imperdível. Claro que o público queria mais. E, agora, tendo já estado quites com a sua obrigação de tocar o “Brasil”, Jão, Juninho e Boka voltaram para um breve bis.

  1. Amazônia Nunca Mais
  2. Retrocesso
  3. Aids, Pop, Repressão
  4. Lei do Cão
  5. SOS País Falido
  6. Gil Goma
  7. Beber Até Morrer
  8. Plano Furado, Pt. 2
  9. Heroína Suícida
  10. Crianças sem Futuro
  11. Farça Nacionalista
  12. Traidor
  13. Porcos Fardados
  14. Vida Animal
  15. O Fim
  16. Maquina de Militar
  17. Terra do Carnaval
  18. Herança
  19. Morrer
  20. FMI
  21. Crucificados
  22. Obrigando a Obedecer
Foto: Chris Machado

Ao fim de mais um Underground Metal Fest, ficou a certeza de que, enquanto Brasil afora turnês são canceladas e os fãs ficam a ver navios, pelo menos no Ceará o único navio que os headbangers viram foi o que serve de decoração no próprio pirata, uma peça de uns 3 ou 4 metros de cumprimento por 1 ou 2 de largura. A Underground Produções acertou mais uma vez e, agora, num local bem mais adequado para receber os cearenses que curtem música extrema.

Agradecimentos:
Fabrício Oliveira, pela atenção e credenciamento ao Detector de Metal.
Chris Machado, pelas imagens que ilustram este texto.

Foto: Chris Machado
Foto: Chris Machado

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