EPs | Itankale – QUILOMBO (Sangue Frio Produções, 2019)
12/05/2020 | Por
Capa de Itankale, primeiro EP da banda Quilombo

Uma das coisas que mais me fascina na música pesada (e com isso leia-se Metal, Rock, Grindcore, Punk e etc), é o fato de ser um gênero multicultural e democrático. Ricos, pobres, brancos, negros, gays, héteros, homens e mulheres. Não importa! Todo mundo pode curtir e também produzir. Outra coisa também interessante é o fato de podermos se manifestar artisticamente, levantando causas e abordando temas muitas vezes ignorado pela sociedade como um todo. É o que acontece no EP Itankale, da banda paulista QUILOMBO. O debut já chama a atenção pela bela capa, que estampa o rosto de várias pessoas negras famosas na história da humanidade, como Nelson Mandela, Bob  Marley, Ray Charles e entre outros.

Abrindo com a faixa Melanina, a banda mostra que mistura bem o Death Metal com Grindcore. Trechos em português são perceptíveis em alguns momentos, já que por conta do estilo, muitas vezes não identificamos o que está sendo cantado. Nessas horas, a ajuda de um encarte com o CD físico é muito bem vinda. Além disso, como forma de alternar uma música da outra, a banda colocou alguns sons característicos e representativos da cultura negra como sons de rituais africanos, berimbau, vozes de celebridades (Ray Charles) e também o reggae do Bob Marley. Este é um tipo de som que pede uma produção mais suja e agressiva, e assim o disco o fez. Dentro de sua proposta, o EP entrega além do esperado.

“Itankale” significa evolução na língua Yorubá, e a obra como um todo, se tornou um marco na luta contra o racismo e a ignorância que infelizmente vem crescendo em nosso país. O EP segue com as faixas “Ancestralidade”, “Treze Nações”, “Descendentes de Reis”, “Semideusas” e “Diáspora DC”, todas com uma mensagem importante, e também com um conceito histórico envolta da cultura negra. As músicas são curtas, até porque no Grindcore as canções costumam não ter durações muito longas. Com menos de 20 minutos de duração, Itankale se mostra um trabalho direto, cru (ou até Old School eu diria), técnico e extremamente importante dentro de um cenário da música pesada em que temos poucos representantes do povo negro.

Outro ponto importante a destacar é a escolha do nome da banda. Para quem não sabe, um quilombo era um local formado por negros fugidos de seus donos durante a época da escravidão. Com o tempo estes quilombos foram aumentando em virtude do aumento do número de fugas dos negros escravos, o que acarretou na criação de pequenas comunidades, conhecidas como quilombos. Quando a Princesa Izabel decretou o fim da escravidão já haviam diversos quilombos no Brasil, sendo o mais famoso localizado no Leblon, no Rio de Janeiro, que recebeu o nome de “Quilombo do Leblon”. Certamente a escolha do nome para a banda foi em virtude deste passado histórico e isso só reforça que suas raízes estão muito bem fixas num passado que exige lutas diárias até hoje. Viva o povo negro!

Algumas cópias do material físico ainda devem estar disponíveis e, para adquirir a sua, basta entrar em contato com a assessoria Sangue Frio Produções, ou também com a banda Quilombo pelas redes sociais ou pelo e-mail pandadrums@hotmail.com

Capa de Itankale, primeiro EP da banda Quilombo
Capa de Itankale, primeiro EP da banda Quilombo. (Foto: Divulgação)

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