CDs | Quadra – Sepultura (Nuclear Blast, 2020)
04/03/2020 | Por
Capa do Quadra, novo disco do Sepultura
obs: Esta resenha também sairá na edição impressa do jornal O Povo, de Fortaleza (CE).
obs²: Esta resenha teve colaboração de Elias Cavalheiro

 

SEM SAUDADES DO PASSADO

Quadra, novo disco do Sepultura, comprova excelente fase criativa da banda e é apontado como o melhor da fase Derrick Green

Em fevereiro o Sepultura entregou ao mundo o seu 15º álbum de estúdio. Intitulado de Quadra, o disco foi produzido e gravado no Fascination Street Studios, na Suécia, por Jens Bogren, experiente produtor musical por já ter trabalhado com grandes bandas do heavy metal mundial como Opeth, Dimmu Borgir, Amon Amarth, Kreator, Arch Enemy e entre outras. O disco foi lançado pela Nuclear Blast, a maior gravadora de heavy metal do mundo. 

O disco consolida a excelente fase criativa do Sepultura, que ao meu ver, vem sendo notória desde o disco Kairos (2011), mesmo este não tendo sido gravado com Eloy Casagrande na bateria, o principal destaque do Sepultura na última década. Quadra é um disco criativo e eclético, onde podemos dividi-lo em 4 partes, cada uma delas sendo composta por três músicas. Acredito que venha daí a origem para o nome “Quadra”, e em cada parte, vemos Sepulturas diferentes, cada um no seu charme, elegância e originalidade. O começo do disco é mais pesado, apresentando a banda em sua forma mais agressiva e brutal com destaque para a faixa Isolation, primeira música da obra. Means To An End e Last Time seguem no ritmo frenético da primeira parte.   

Capital Enslavement é a quarta faixa, sendo a primeira da segunda parte do disco. Ela tem elementos que lembram o Machine Messiah (2017), disco antecessor ao Quadra. A faixa Ali nos apresenta um refrão bem incomum para o Sepultura, mas não ficou ruim e até deixou um gostinho de quero mais. Raging Void segue trazendo refrões melódicos mas não muito característicos para o Sepultura. Eu colocaria ela como a quinta faixa, pois preferiria que a segunda parte se encerrasse com a faixa Ali.

A sétima música, sendo a primeira da terceira parte do CD, é a Guardians of Earth, uma das favoritas ao título de melhor do CD. Sua intro de violão e depois a vinda de batidas que lembram um pouco o jazz, já faz qualquer ouvindo ficar atento e se perguntar: “Isto é mesmo um disco do Sepultura?”. Esta música traz vozes limpas e melódicas de fundo, além de intercalar entre momentos técnicos, agressivos e melódicos, com Andreas Kisser solando como ninguém. The Pentagram traz duas coisas que todo headbanger ama: Palhetadas e bumbo duplo. Eloy e Andreas fazem uma dobradinha incrível durante toda a música, que é a primeira instrumental do disco. Eu só não sei se daria 5 minutos e 20 segundos para esta música, mas, há quem goste. A terceira parte do disco termina com Autem, uma faixa que volta com a grande novidade do disco: refrões melódicos. A faixa não empolga muito, eu diria que seja a mais fraca do disco. 

Capa do Quadra, novo disco do Sepultura
Capa do disco. (Foto: Reprodução)

E para finalizar este belíssimo trabalho, o Quadra entra na sua quarta parte apresentando a faixa de mesmo nome do disco. A faixa título é curta, não possui um minuto. Ela é basicamente um momento solo de Andreas e seu violão. O mais legal é a contagem “1, 2, 3 e 4”, feita em português pelo guitarrista, antes de dedilhar no violão. A penúltima música, Agony of Defeat, é uma das melhores músicas do Quadra. Aqui, Derrick faz uma introdução com um tom de voz que praticamente nunca se viu na sua história dentro do Sepultura, e o vocalista inova também durante toda a música. Agony of Defeat tem uns corais interessantes, o que é mais um elemento novo explorado por um Sepultura ousado. A faixa tem uma tímida pegada pop, o que não deve agradar aos fãs mais antigos da banda. Se bem que muitos fãs antigos do Sepultura só gostam de ouvir os discos da era Max, então, bem, isso seria discussão para outra matéria.  

E por fim, a quarta e última parte do disco termina com Fear, Pain, Chaos, Suffering, uma música que contou com a participação de Emmily Barreto, vocalista da banda Far From Alaska. O dueto que a moça faz com Derrick é muito bom, ao mesmo tempo que melancólico, em um encontro perfeito entre os dois timbres de vozes. Andreas continuando se mostrando um ótimo compositor, algo que vimos muito bem em Machine Messiah (2017). Derrick Green está muito bem no disco, entregando bem nas horas mais intensas e mostrando também habilidade quando a música pedia mais suavidade. Eloy Casagrande é um tesouro, um achado, e foi muito bem lapidado pelo Sepultura. Sua marca no álbum é notória e o disco não teria tanta qualidade técnica se não fosse por sua atuação. O baixista Paulo Xisto também merece reconhecimento por ser o membro mais antigo da banda e por, com certeza, ouvir muita encheção de saco de fãs mais antigos pedindo pro Sepultura voltar a tocar o que tocava no começo da carreira quando Max ainda era o vocalista e líder da banda. 

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