CDs | Ordinary Man – Ozzy Osbourne (Epic Records, 2020)
06/04/2020 | Por

Resenha escrita por: Elias Cavalheiro

O príncipe das trevas, ao final de sua carreira, lança um disco mediano, com músicas que remetem aos seus momentos de bebedeira e drogas com o Black Sabbath e na carreira solo, além de em várias músicas as letras expressarem uma despedida e um sentimento de dever cumprido. Vou analisar música por música!

1 – Straight to Hell

A música de abertura é boa, inicia-se com um coro e em seguida o riff e em seguida de sua frase clássica “Allright Now!” fazendo uma a música Sweet Leaf, do Black Sabbath. A letra aborda a influência do mal no comportamento humano, despertando seus desejos ocultos de, como por exemplo, comemorar a morte de outros, ou de mentir, matar, roubar e se suicidar. O refrão cumpre sua função de grudar na cabeça. Em alguns momentos a letra ainda fala da falta algo em sua vida e que ele não se sente satisfeito, que logo após essa frase segue com um ótimo solo de guitarra juntamente com o refrão. Como dito anteriormente, é uma boa música de abertura, apesar de curta, com menos de 4 minutos. Esta música possui um clipe que ilustra um confronto entre manifestantes e policiais, com Ozzy cantando e observando enquanto o caos domina as ruas.

2 – All My Life

A segunda faixa começa lenta, e ganha corpo nos refrões. Possui uma letra um pouco confusa, que fala sobre arrependimentos acumulados durante a vida, em que o personagem faz algumas reflexões enquanto a morte vem em sua direção. O andamento que essa música tem lembra um pouco a No More Tears (principalmente no refrão). É seguida de um excelente solo no final da mesma.

3 – Goodbye

Uma música com característica bem stoner até certo ponto, nela você consegue viajar pela letra melancólica de uma pessoa prestes a abrir mão da própria vida, como se fosse uma despedida de fato. Da metade da música em diante ela tem um andamento completamente diferente, se aproximando mais do rock de músicas como Paranoid, por exemplo. Em seguida a música mescla com a melancolia inicial e a parte mais agitada, juntamente com os ótimos solos de Andrew Watt, que além de guitarrista foi o produtor deste álbum.

4 – Ordinary Man

Chegamos finalmente na música título, e também a mais aguardada de todo o disco pela épica parceria de Ozzy Osbourne e Elton John. E que clipe emocionante, digno de derramar lágrimas, realmente. O clipe consiste simplesmente em Ozzy sentado numa sala de cinema vendo o filme de toda a sua vida, desde o nascimento, a formação clássica do Black Sabbath, a carreira solo, as fotos e vídeos dele em turnê e com a família, seu casamento, até aquele reality show bizarro, o The Osbournes, não ficou de fora. O que o clipe enfatiza mesmo são a carreira, o exagero em álcool e drogas, sua família (principalmente Sharon, que aguentou esses anos todos as loucuras por parte do marido), e as reações do Ozzy atual assistindo e se emocionando a tudo isso. A letra desta música, assim como parte do álbum, fala sobre sua trajetória no rock, e principalmente seu amor por Sharon. Aqui os dois músicos cantam muito bem, e a balada funciona melhor juntamente com o clipe.

Elton John e Ozzy Osbourne
Elton John e Ozzy Osbourne entregam uma das melhores faixas do álbum. (Foto: Reprodução)

5 – Under the Graveyard

Entrando na metade do disco, lidamos com uma música regular, com uma que repercute suas experiências com álcool e drogas que quase o levaram a morte diversas vezes. No clipe, vemos Sharon falando sobre a rotina de Ozzy e seus abusos com drogas, durante o final da década de 1970. Depois aparece Ozzy, alucinado e cercado de álcool, drogas e mulheres em um hotel. Quando ele fica sozinho e inconsciente, Sharon aparece e fica ao seu lado, dá banho, o coloca para dormir, e permanece com ele até durante as crises de abstinência. A música não é ruim, o problema é que a letra é repetitiva da metade em diante.

6 – Eat Me

Daqui pra frente começaremos com “lado B” desse disco, que infelizmente não é tão bom. A primeira música é Eat Me, a letra dessa música tenta ser profunda e metafórica, mas acaba sendo rasa e fraca. A letra aborda de alguém comer outra pessoa, que pode talvez possa ser uma metáfora para uma pessoa prejudicar a outra, ou uma se vingar da outra. Mas a letra não funciona, o refrão é pobre e não funciona. A única coisa que se salva nessa música mesmo é o solo de Andrew Watt.

7 – Today is the End

Não há muito o que se falar aqui. A letra literalmente fala de um homem descrevendo o apocalipse. Com o sol negro e o céu vermelho, que não há para onde fugir e você deve aceitar as coisas como são. Enfim, letra genérica, harmonia pouco original, uma música que facilmente se ofusca diante da carreira de Ozzy. Realmente nada aqui se destaca.

8 – Scary Little Green Man

A letra dessa música fala sobre homenzinhos verdes e assustadores que influenciam na vontade e na percepção das coisas. Porém a letra é confusa, não sabe ao certo onde quer chegar e acaba chegando em lugar nenhum. Essa música possui um clipe, em que o ator Jason Momoa interpreta o Ozzy e seus trejeitos, mas o clipe, até a data em que essa análise é publicada, ainda não saiu. O pior desta faixa fica por conta do refrão, que tenta embalar com a repetição, porém só desgasta mais ainda essa faixa medíocre.

Capa do Ordinary Man.

9 – Holy for Tonight

Uma música que fala sobre despedida. Seria esta, de maneira mais expositiva que as demais, uma declaração de despedida do próprio Ozzy para com seu público? Mas bem, a música é lenta (uma balada) que é arrastada principalmente no refrão. O solo também é outro ponto fraco desta canção, entra de maneira repentina, e é muito desconexo do restante da música. Esta é mais uma canção com pouquíssimo destaque nesse disco

10 – It’s a Raid

Aqui temos a primeira das duas músicas da parceria de Ozzy Osbourne com o rapper Post Malone. Uma música cheia de gírias e palavrões, de viciados que tem que esconder suas drogas de uma batida policial (uma invasão da polícia em alguma casa com suspeita de tráfico). A música tenta imitar as levadas punk das bandas britânicas da década de 70, mas falha miseravelmente. A música é entediante, a letra é pobre, o instrumental é indiferente. Fora que nenhum dos dois vocalistas demonstram familiaridade com esse tipo de som.

11 – Take What you Want

A última música do álbum, que não é do Ozzy Osbourne, mas sim de Post Malone, com a participação de Ozzy e de Travis Scott. É um rap que fala sobre o fim de um relacionamento, para a pessoa que o magoou pegar tudo o que quiser e ir embora para sempre. É uma música muito genérica, que poderia facilmente ser enquadrada em outros estilos como glam metal, pop, etc. Além de ser facilmente a música mais desconexa do disco, ela não ficou boa nas partes cantadas pelo Ozzy, gera estranheza e ao mesmo tempo desconforto pelo seu timbre mais aberto numa música lenta com batidas de hip hop.

Mas enfim, disco bom na primeira metade, e bem fraco na segunda metade. Um claro sinal de que este seja talvez o último trabalho de estúdio do Ozzy. Isso se ele não resolver terminar e reaproveitar as faixas que ficaram de fora deste disco para um próximo trabalho em estúdio.

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