CDs | Extreme Power Metal – Dragonforce (Metal Blade, 2019)
10/10/2019 | Por
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Resenha por: Elias Cavalheiro

E finalmente falando sobre uma das minhas bandas favoritas e que ouço desde os meus 15 anos de idade. Dragonforce é uma banda que em seu início se deu de maneira bem tímida, com pouco reconhecimento internacional, apesar de seu estilo que misturava o Power Metal já consagrado por Helloween, Stratovarius e Angra, também permeava pela velocidade extrema das baterias do Death Metal. Não é a toa que a banda surgiu após o fim de uma outra banda de Death/Black Metal, Demoniac, da qual os 2 guitarristas (Herman Li e Sam Totman) faziam parte.

Mas enfim, Extreme Power Metal já está entre nós, sendo este o último álbum de estúdio com o baixista Frédéric Leclercq, que saiu da banda para integrar o Kreator, e o primeiro álbum sem o tecladista ucraniano Vadim Pruzhanov, que saiu da banda em meados de 2018 de uma forma bem esquisita. Ele alega que a banda mudou muito seu marketing e sua proposta inicial nos dois últimos trabalhos em estúdio, tendo uma sonoridade mais próxima do Demoniac (O que é plausível, já que o disco anterior, Reaching Into Infinity, realmente soava como um Death Metal Melódico em algumas faixas. Porém quem em pleno 2019 ainda decide manter a mesma receita de bolo e opta por não expandir seus horizontes artísticos?). Além disso Vadim também estava sem tempo para a família e, mais recentemente, mudou de religião.

Tendo em vista tudo isso, espera-se que o álbum seja ruim, ou no máximo mediano. O que não ocorre aqui, claro que é um álbum menos expressivo em comparação com o anterior e principalmente ao Maximum Overload, pois Vadim faz falta, porém os teclados foram gravados por Coen Janssen, o tecladista da banda Épica. Sabendo disto, vamos as músicas:

1 – Highway to Oblivion: Não somente essa música, mas toda a atmosfera deste disco é futurista, os clipes (incluindo o desta música) lembram muito a visão futurista que se tinha nos filmes dos anos 1980 e 1990. Os elementos que caracterizam a banda estão todos aqui: melodias em coro com os back vocals, introduções bem produzidas, e claro, a velocidade que fez a banda se tornar conhecida mundialmente. As letras não são o forte da banda, por serem em sua maioria temas pouco aprofundados. Temos então uma boa faixa de abertura que vai mostrar a ambientação de quase todo o disco.

2 – Cosmic Power of the Infinite Shred Machine: Outra música com boas melodias vocais acompanhadas com ótimos backs. O refrão funciona muito bem, já destacando que Marc Hudson aparenta estar bem à vontade nesse álbum. A partir dos 3 minutos a música fica um pouco mais lenta, em seguida passa para uma parte que o som cresce progressivamente que ficou simplesmente sensacional, Coen Janssen e os dois guitarristas estão de parabéns nessa música. O único problema dela ao meu ver é o título que convenhamos, é imenso.

3 – The Last Dragonborn: Primeiro grande ponto forte e um dos motivos para se ouvir esse disco é justamente essa música. Logo no início parece que estamos ouvindo Epica, ao invés de Dragonforce. Na primeira vez que ouvi essa música percebi essa diferença de estilo e fui me informar em quem gravou os teclados, e eis que vi que era justamente o tecladista do Epica. Coen Janssen conseguiu colocar suas características que o consagraram no Epica dentro de uma banda com uma proposta diferente (afinal uma banda é de metal sinfônico, e a outra é de power metal). A música fala sobre a jornada de um povo sob o cenário de guerra da China antiga. Música mais que merecida de ser tocada nas turnês.

4 – Heart Demolition: E finalmente chegamos na principal música do disco (e talvez a melhor, juntamente com the Last Dragonborn). A interpretação da letra é bastante ambígua, pois pode se referir desde a um relacionamento com uma outra pessoa, ou com o apego da infância do personagem. O que é bem justificável já que o clipe trata de muitas coisas referentes a cultura dos anos 1980 e 1990, e acredite, o clipe tem muitas referências legais, desde filmes como Exterminador do Futuro, até mesmo jogos de vídeo game, como Starfox. Além de também possui um refrão que com certeza o fará cantarolar no dia a dia.

5 – Troopers of the Stars: A quinta faixa desse álbum não se destaca tanto quanto as anteriores, ela tem o seu andamento rápido assim como as anteriores, mas nada de muito impactante. Essa possui uma referência a Cry for Eternity, do Inhuman Rampage.

6 – Razorblade Meltdown: Não vou mentir, a introdução dessa música é bem legal, assim como o clipe em desenho animado, mais uma vez cheio de referências. O título da música também é bastante sem noção (Fusão da Lâmina de Barbear), porém a melodia é boa, já a letra mais uma vez remete a momentos saudosistas do ponto de vista do narrador, há até algumas palavras em finlandês com o intuito de fazer soar bem em alguns versos.

7 – Strangers: A maioria dos B sides da banda são músicas menos expressivas comparadas com as primeiras, só que curiosamente não é o que acontece aqui. Essa música é bastante boa, e fala sobre a sensação de nos sentirmos estranhos em novas cidades ou horizontes quando estamos em busca de nossos objetivos. Um riff bem forte, um refrão bem melódico, e um solo bem virtuoso são as principais características dessa excelente faixa.

8 – In a Skyforged Dream: Outra música boa, rápida, porém cadenciada, não dá a impressão de estar ouvindo sempre a mesma coisa. Fica o destaque para o pré refrão e para os bons solos de Herman Li e Sam Totman. O ponto negativo fica para os teclados pouco expressivos e audíveis. A letra nesta música fala de se libertar das condições negativas impostas pelo mundo e ser livre, um pouco clichê, por sinal.

9 – Remembrance Day: Uma música iniciada em uma gaita de fole quase sempre será uma boa música. Trata-se de uma música em homenagem a todos aqueles que morreram lutando pelos seus sonhos e pela liberdade, defendendo seus reis e rainhas. O fato de se ter uma gaita de fole (instrumento muito característico da Escócia) e uma música falando para nos lembrarmos dos nossos heróis do passado nos remete na verdade a uma homenagem aos guerreiros que lutaram pela Escócia em épocas passadas.

10 – My Heart Will Go On (Celine Dion Cover): A música começa em 8 bits, só por isso já vale 5 estrelas. Mas deixando as piadas de lado, mais uma vez o Dragonforce consegue com perfeição fazer boas adaptações de músicas que não são do gênero rock ou heavy metal. Já fizeram um bom cover com Ring of Fire, do Johnny Cash, e não foi diferente dessa vez.

Sobre o álbum num geral: A banda permanece no caminho certo, porém ele é menos explorado musicalmente que seus 2 antecessores. Parte desse pequeno problema se deve principalmente a saída de Vadim Pruzhanov, que fez muita falta em algumas músicas. E essa foi mais uma resenha, espero que tenham gostado!

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