Belphegor em Fortaleza provou muitas coisas naquela noite
16/04/2017 | Por
Belphegor em Fortaleza

Os austríacos do Belphegor tocaram em Fortaleza no dia 5 de Março (domingo) no conhecido Teatro da Boca Rica, aqui mesmo na capital cearense. O show foi realizado pela Darkdimensions Produtora e com apoio local da Gallery Productions. Desde o show do Ghost B.C que eu presenciei quando morava na Alemanha, não fui a nenhum outro show de Black Metal com essa temática bem obscura e isto me deixou bem ansioso para ver o Belphegor na minha cidade. O período de divulgação do show foi animado e intenso, mas com uma mudança durante o decorrer. Quando soubemos de falhas no teto do Teatro da Boca Rica, a produção local resolveu mudar o lugar do show para preservar a segurança da banda e do público pagante. Esta mudança foi informada com intensidade nas redes sociais tanto pela parte do Detector de Metal quanto pela própria Gallery. O curioso é que este show mudou de local, mas depois voltou para o local de origem, pois soubemos que o Boca Rica passou por reparos. Acredito que este fato possa ter gerado aos olhos do público, uma impressão de desorganização por parte da produção, e com isso, o público foi ficando meio desmotivado e sem muita fé na execução do show. O que os deixaram profundamente enganados.

 

O show – Estrutura, acesso e organização.

O show do Belphegor conseguiu reunir uma galera que foi, talvez de última hora quem sabe, ao Teatro da Boca Rica e adquiriu o ingresso sendo guiados por suas curiosidades (importante ressaltar que o valor do ingresso não subiu, e acabou sendo o mesmo que foi informado no cartaz para quem comprasse com antecedência, ponto positivo). Sim, houveram pessoas que eu até diria que nunca estiveram num show daquele estilo. Isso é demais! Não sei se foi acerto na divulgação, se foi no boca boca, ou se por ser domingo e consequentemente sem muitas coisas para fazer, a ida dessa galera foi bem legal. Só ficou meio embaçado a questão da informação do horário que iria começar pelo menos a banda de abertura, ficando sob os cuidados dos veteranos da Encéfalo. Não ficou certo que horas começava o show. Uns achavam que era as 20h, outros as 18h (acabou começando as 20h). Mesmo com essa dúvida no ar, as apresentações começaram cedo e terminaram cedo. Eu me lembro muito bem de sair do Teatro da Boca Rica antes das 23h da noite (e olha que eu ainda fiquei um pouco após o show do Belphegor, pois a gente sempre encontra aquela galera para conversar e tentar, é claro, uma foto com os caras). Mesmo demorando a sair do Boca Rica, quando pisei na calçada para ir embora, não eram 23h. Ponto positivo, pois se tratava de um domingo e o dia seguinte era segunda, dia normal de trabalho e começo de semana. Semana esta, que começou bem revigorada com as energias malignas do Belphegor. Hail!

Logo quando entrei no Boca Rica, eu vi dois paredões de som. Um em cada lado da casa. Eles ficaram entre a galera! Para quem não conhece, o boca rica é um teatro e as bandas tocam em uma plataforma mais elevada, sem muito espaço para PA’s do tamanho de um Transformers. Então, a produção colocou essas caixas de som onde o público fica. Mas não deixou ninguém surdo, pelo menos não que eu saiba (risos). E devo ressaltar que foi a melhor estrutura de som que eu já vi naquele teatro da Boca Rica (em segundo lugar, dou para o show do Torture Squad, organizado pelo Alex Maramaldo da Death Box Productions), e olha que sempre que acontece show por lá, minha presença é garantida. De qualquer lugar da casa, você ouvia muito bem o som, incluindo todos os instrumentos. Foi destruidor, com certeza foi um fator que contribuiu para o impactante show do Belphegor. Farei uma campanha para que tenha mais shows com aquela estrutura de som. Até gerador tinha do lado de fora. Foi surreal!

 

Encéfalo

A encéfalo levou o seu repertório aos metalheads daquela noite, com uma surpresa no final! A banda está em processo de produção (que já deve se encontrar na fase final) do seu novo CD, ainda sem nome e nem capa divulgada. A banda nos trouxe uma música nova, que foi tocada no final de sua apresentação. Mas acredito que muitos que estavam ali, não sabiam o nome da música pois a mesma não foi anunciada. Creio que o motivo tenha sido o tempo e a correria, que fez com que a Encéfalo tocasse o show de uma forma frenética, música atrás de música e pouca interação com o público. Fora isso, a banda está em perfeita harmonia e os músicos estão bem a vontade. O show começou com um instrumental e a música ALL THE HATE IN MY SOUL ficou colada com a DESPAIR.

Encéfalo

Rodrigo Falconieri estava numa noite inspirada e fez a bateria gritar de dor naquela noite. Foi em ANIHILATION que eu percebi uma pequena falta de interação com o público, mas por motivos que já expliquei mais a cima.

Durante o show da Encéfalo, conheci pessoas que vieram de longe para o show do Belphegor. Nilton “Cavalera” Carlos, de Tocantins e Américo José, diretamente de Camocim, são os headbangers (pode ser que tenha tido mais, mas foram os que eu conheci por lá) que percorreram muitos quilômetros para prestigiar as trevas do Belphegor e a brutalidade da Encéfalo.

Encéfalo

Fotos: Gandhi Guimarães

Ao final da apresentação da Encéfalo, um clima sombrio e tenso reinou no Boca Rica, pois todos sabiam que ja já era a hora dos maus espíritos aterrorizarem aquele local.

 

Belphegor

Quando os pedestais dos caras foram descobertos, pronto! Foi o momento de muitos gritos e clamações: ” Belphegor.. Belphegor.. Belphegor” Gritava o público. De repente a proximidade do palco foi ficando cheia de gente. Os olhos curiosos dos que nunca tinham visto algo parecido de repente nem piscavam! Começa-se a introdução Sanctus Diaboli Confidimus. Satanás estava entre nós!

O baixista do Belphegor tem uma excelente presença de palco. Bangueava sem parar, olhava pro público, chamava a galera e voltava para apoiar nos vocais de fundo. Em Hell’s Ambassador, o vocalista Helmuth parece que começa a fazer uma oração maligna e anuncia que o Belphegor, o embaixador do inferno, estava em Fortaleza. Momento este, que fez o público ir ao delírio com os punhos no ar e gritando: HEY!

 

Belphegor em Fortaleza

Belphegor em Fortaleza

Foto: Gandhi Guimarães

 

Quando veio Lucifer Incestus, foi a catarse daquela noite. Na música Stigma Diabolicum, o vocalista começou a misturar inglês com latin, algo que ficou difícil de entender mas bem interessante de se ouvir. Em Conjuring The Dead, pudemos ouvir na gravação: “É o demônio que fala por ela. É uma bruxa. Ela fala a palavra de Satã.” – (obrigado ao meu amigo e colaborador do Detector de Metal, Daniel Tavares, por me mandar esta tradução).

Teve uma hora no show do Belphegor em que todos ficaram de joelhos. Nesse ponto, eu comecei a refletir sobre a importância de você sair de casa e ir presenciar um show desses. A teatralidade é algo que você não consegue sentir e nem ver quando está em casa vendo vídeos no You Tube ou ouvindo pelo Spotify. É preciso sair de casa e ir presenciar ao vivo, o que bandas como o Belphegor (e mais outras milhares) fazem no palco. E nem me refiro exclusivamente a bandas de Black Metal. Já presenciaram o que o Iron Maiden faz no palco? O que o Dio fazia muito nos anos 80, principalmente no seu show na Filadélfia em 1986? E agora, mais recente, o que o Amon Amarth vem fazendo? É isto que faz todo o seu esforço de sair de casa valer a pena, se você chama isto de esforço.

Belphegor em Fortaleza

Helmuth falou que era muito bom estar de volta à Fortaleza e puxou muitos gritos de: HAIL, HAIL, HAIL! O Belphegor anunciou por último, uma música mais recente. Totenkult – Exegesis Of Deterioration dava fim a primeira parte do show. Após a música e de um “Vocês querem mais?” do Roadie, o baterista voltou ao palco e fez um solo bem técnico e rápido, no qual foi muito aplaudido. Bem legal o agradecimento do vocalista Helmuth à equipe e aos Roadies, citando cada um pelo nome antes de dar início a “In Blood – Devour This Sanctity”.

E depois que acabou o show, a banda foi para a galera e bateu foto com todo mundo. Eu não podia deixar de registrar esta noite ao lado do vocalista, e fui com o pouco que sobrou do meu alemão, pedir uma foto ao Helmuth. O cara atendeu na hora! Show memorável, inesquecível e impecável. Ainda pude chegar cedo em casa e preparar minhas coisas para o trabalho e para a faculdade do dia seguinte.

 

O que este show provou naquela noite, já que é o título da matéria?

Nunca, eu disse, NUNCA desacredite de nenhum show por mais underground que ele seja, aqui em Fortaleza ou em qualquer lugar do mundo.

Saia de casa! Se pra você é um esforço sair de casa, coloque na sua cabeça que você está indo presenciar algo que nunca será sentido pelo You Tube ou DVD.

O show provou que um evento de extremo e underground, pode sim ter uma boa qualidade de som e organização. Parabéns a equipe local da Gallery Productions, liderada pelo Emydio Filho. Até hoje eu me pergunto se aquela caixa de som (conhecido como PA) era um PA ou um Transformer. Aquela porra era gigante!

A curiosidade pode ser benéfica e te levar a conhecer coisas novas. Tenho certeza que aquela turma curiosa que chegou para ver o show, vai se lembrar para sempre daquela aula de Black Metal. A curiosidade pode te ajudar a abrir a mente. Reflita 😉

 

Gustavo Queiroz

Fim.

 

Obs: Amigos, muito possivelmente esta foi a última resenha do site do Detector de Metal. Agradeço à todos que leram até aqui. O site, bem provável que em breve sairá do ar, mas manterei o canal. Salve bangers, vocês são fodas!

 

 

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