Aline Happ: vocalista da banda Lyria fala sobre depressão e autismo no heavy metal
20/09/2019 | Por
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Estamos no Setembro Amarelo, mês de conscientização para cuidar de doenças como a depressão e outros conflitos psicológicos. Como uma forma de produzir algo relacionado ao tema, convidamos Aline Happ para uma entrevista exclusiva para o Detector de Metal e abordar com ela, um pouco de como ela vê algumas questões psicológicas dentro do Heavy Metal. Também aproveitamos a oportunidade para conhecer um pouco sobre sua banda, a Lyria, e entender como se dá o processo de composição das letras. Confira o papo na íntegra!

1)    Tem saído muitas pesquisas sobre quanto o metal ajuda a tornar as pessoas mais felizes e menos depressivas. A que você atribui tal sentimento de felicidade nos headbangers?

A: Para mim, a música tem esse poder de ajudar as pessoas. O metal, talvez por ter uma sonoridade mais densa, encorpada e pesada, cria uma conexão especial e ajuda a acalmar e extravasar os sentimentos ruins. Existem muitas letras excelentes no metal também e muitas vezes a música consegue se comunicar de forma profunda com as pessoas, algo que vai realmente na alma.

2)    No esporte vemos muitas campanhas, as mais conhecidas sendo o Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul. Como você vê que poderíamos também trabalhar e levantar estes assuntos no mundo da música?

A: Acredito que quanto maior a divulgação sobre esses temas, melhor. Essas campanhas de conscientização vêm sendo adotadas em diferentes áreas, como nos esportes. Acho que o mundo da música deveria fazer o mesmo. E aí existem diversas possibilidades, desde a falar mais sobre estes temas, a criar eventos de músicas que os suportem de alguma forma ou ainda oferecer oficinas de música junto de palestras, etc.

3) Na sua opinião, qual o principal desafio que enfrentamos quando tentamos conversar com terceiros sobre o Rock não incitar violência/depressão ou demais inquietações por meio da música?

A: Muitas pessoas ainda acham que o rock e o metal remetem a algo barulhento e violento, que o rock é unicamente “sexo e drogas” e  que o metal é “música do demônio”. Essa é uma ideia bastante antiquada. Existem diferentes vertentes no rock e no metal, e cada uma tem um som e um estilo diferente. A verdade é que muitas pessoas gostam e ouvem rock/metal, mesmo sem saber. Por exemplo: Beatles, Queen e Metallica, que são consideradas como clássicos, então muitos não param para pensar no estilo. E são bandas de rock bastante diferentes entre si!  Muita gente também gosta de músicas de jogos, trilhas de filmes, desenhos e seriados e não se dão conta de que muitos dos arranjos são também bem pesados. Então acho que a melhor maneira é mostrar algumas músicas à elas, mostrar diferentes letras, para quebrar este preconceito.

4) E sobre a sua banda. Vamos falar um pouco dela. Como surgiu o Lyria? E fazendo um gancho com o tema, ela foi criada para combater esses temas mais depressivos por meio das letras de proposta mais “auto-ajuda”?

A: Eu fui percebendo que eu realmente gostava de música, de cantar e que queria viver disso. Então, fundei a banda em 2012, já com a ideia de viver profissionalmente da música. O processo de composição foi algo natural, encaixava no meu jeito de cantar e as letras sempre falam sobre algo que me marcou de alguma forma. Eu não tinha um objetivo inicial de falar sobre esses temas, mas eu percebi que é disso que sei falar, que essa é a minha verdade. Então, através das minhas experiências, tento passar boas mensagens para as pessoas, mensagens de conforto e superação. E temos recebido uma excelente resposta do público, tanto em termos musicais quanto na questão de realmente ajudar as pessoas. Então, acabamos muitas vezes dizendo que somos um “metal de autoajuda” (risos).

5) Fale um pouco sobre a faixa “The Rain”. Ela foi inspirada num fã da banda que sofre de autismo, correto?

A: Sim, ela foi inspirada em um poema de um fã australiano, Warren Mayocchi, que fala sobre sua percepção do mundo, dos seus sentimentos e de suas memórias na infância. Tanto o poema quanto a letra de The Rain estão no livro dele “Human: Finding myself in the autism spectrum”, que aborda sua experiência de vida no espectro do autismo. Para escrever essa música, meu marido e eu realmente fizemos uma imersão no poema e eu realmente me conectei e pude relacioná-lo a diversas situações da minha própria vida. Quando ele leu a letra, e depois escutou a música, ficou muito emocionado e disse que ela realmente traz tudo aquilo que ele queria passar. E olha que interessante, acabou que o Thiago Mateu (baterista) dá aulas de bateria para um aluno com autismo!

6) Como andam os trabalhos da banda para este ano? O que vocês têm em mente? Algum sucessor do disco Immersion a caminho?

A: Estamos gravando novos clipes e passando por ainda mais cidades com a Immersion Tour. Ainda não pensamos em um novo álbum, pois precisamos divulgar mais o Immersion e sua turnê, mas sempre que estamos juntos ensaiando acaba surgindo algo novo, então estamos guardando tudo isso para um futuro próximo.

7) Espaço aberto, caso queiram deixar algum recado. Obrigado pelo papo e por levantar questões tão importantes.

A: Muito obrigada! Espero que tenham gostado da entrevista. Um grande abraço para toda a nossa Lyria Army! Nos vemos na estrada!

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