Uganga: Entrevista com Manu Joker
08/12/2016 | Por
Uganga Manu Joker

O Detector de Metal conseguiu um papo com o Manu “Joker” da banda Uganga. Falamos até do cancelamento do show do Exodus em Fortaleza, que aconteceu no começo do ano de 2016. Confira!

 

Olá Manu, bem vindo ao Detector de Metal e primeiramente quero lhe agradecer pela entrevista e pela oportunidade! Vocês lançaram recentemente o álbum Opressor. Queria saber, qual a principal diferença que podemos notar nele, em relação aos discos anteriores?

Manu “Joker” Henriques: Salve mano, da hora trocar uma idéia com vocês! Sobre o Opressor eu diria que todo álbum do Uganga tem suas características próprias já que não é a nossa praia ficar na repetição. De maneira geral acho que com esse trabalho nos mantivemos nossa linha evolutiva, tanto individualmente quanto coletivamente. Eu diria que é um trabalho um pouco mais melódico que o anterior (Vol.03: Caos Carma Conceito – 2010) porém também mais pesado e com letras mais diretas.

 

Como foi o processo de gravação? E qual foi o motivo da escolha de Gustavo Vasquez como produtor do disco?

Manu: As gravações rolaram de forma bastante tranquila já que fizemos uma excelente pré-produção antes, a nossa pré mais bem feita até agora com certeza, e isso foi crucial pra vibe tranquila nas gravações. O Gustavo já tinha trabalhado com a gente antes no cover de “Não Desista” que gravamos pro Tributo Ao Stress e também saiu no “Eurocaos – Ao Vivo” (2013) , e sabíamos da sua capacidade. Ele também já tinha trabalhado com outras bandas de amigos como Attero, Krow, Hellbenders e  além de tudo é um cara muito gente boa, pé no chão e competente. Ele  cuidou da captação do nosso DVD  que está saindo no começo do ano e já decidimos que gravaremos o próximo de estúdio novamente com ele. O cara é parte da família!

 

O disco foi feito meio que com um clima ao vivo, já que a faixa “Modus Vivendi” por exemplo, foi criada numa jam com todos reunidos?

Manu: Nem tanto… Realmente o instrumental de “Modus Vivendi” nasceu em uma jam mas ela foi mais um exceção do que uma regra. A maioria das músicas do Opressor nasceram de pequenos fragmentos apresentados por 2 ou mais integrantes , porém depois toda a banda coloca a mão e ai realmente a música é finalizada. Gravamos tudo separado porém com equipamentos analógicos. Obviamente depois usamos a tecnologia na parte de mix etc mas creio que o Gustavo conseguiu levar pro cd a sonoridade da banda ao vivo sem o excesso verniz tão em voga nas produções atuais.

 

Uganga: Entrevista com Manu Joker

 

Vocês tem o hábito de já ter o título do CD pronto antes de começar a compor as músicas. Isso ajuda a criar um disco onde as músicas se relacionam entre si ou não, só complica ainda mais na hora de criar as músicas?

Manu: Isso realmente rola desde o primeiro album. Desde as demos na verdade (risos)… No início foi casual mas hoje confesso que passou a ser a nossa opção. Acho que definir o nome antes cria uma proximidade maior da banda com o vindouro trabalho, ajuda na identidade e unidade da obra. Como letrista gosto de pensar no título no começo de cada pré pois isso me  ajuda a conectar o conceito do álbum sem necessariamente precisar escrever uma obra conceitual. É algo mais subjetivo, uma cara que se dá para o trabalho, pro momento.  Por exemplo,  o “Na Trilha Do Homem De Bem”( 2006) era mais positivo, o “Vol.03…” mais sombrio, o “Opressor” mais raivoso, e por ai vai… Acho que isso da um pontapé inicial na obra mas depois existe a liberdade de tratar diversos temas , diversas abordagens, dentro desse conceito inicial. Eu não diria que facilita ou dificulta , mas que é parte da minha forma de trabalho com o Uganga.

 

Há quem note um pouco de Sarcófago, no riff inicial de “Aos pés da grande árvore”. É verdade? Sarcófago seria uma referência para vocês? E já que o assunto é referencias, fique a vontade para citar demais nomes de bandas, ou até mesmo discos, que sejam influência da Uganga.

Manu: Eu não creio que tenhamos pensado em Sarcófago quando começamos a trabalhar em “Aos Pés Da Grande Árvore” mas entendo o que você quer dizer. Realmente existe uma conexão musical naquele começo com alguns riffs mais old school, não só do Sarcófago mas de outras bandas extremas da década de 80 tipo Bathory, Celtic Frost, Holocausto, Vulcano etc… E com certeza essas bandas são parte das influências do Uganga porém nossas referências vão muito além. Você pode tanto pensar em black metal quanto em valsa ao escutar aquele  riff inicial (risos). Pra mim é tipo uma valsa black metal mineira (mais risos). O Sarcófago faz parte da minha formação e o disco que gravei com eles obviamente tem minha assinatura. Seria muito errado negar essa influência no meu trabalho. Em relação ao Uganga posso citar também Black Sabbath, Beatles, Motorhead, Faith No More, Exodus, Metallica, Exploited,  Helmet, Public Enemy, Dorsal Atlântica, Bad Brains, The Clash entre uma infinidade de outros artistas que nos influenciam.

 

O disco “Opressor” ainda reúne uma versão para “Who Are The True?” do Vulcano. Como ela se encaixou no álbum?

Manu: Se encaixou feito uma luva! É um clássico do metal nacional e a  letra tem tudo a ver com a aura contestadora do Opressor . Quando o Vulcano lançou aquele álbum eu pirei de cara! Primeiro por ser o trampo mais crossover deles e segundo pela temática da faixa título em especial . O rock  sempre teve uns xaropes que julgam todo mundo em nome do metal, do hardcore etc… Quem é o real pra ficar julgando os outros? O que é ser real? Ficar de pose? Que se fodam!

 

E nos shows, como tem sido a recepção do público diante do novo trabalho de vocês?

Manu: Excelente! Foi nossa melhor tour até agora, rodamos bastante! Começou com um giro pela Europa depois Brasil , inclusive indo a lugares onde ainda não havíamos tocado como as regiões Sul e Nordeste,  e na esmagadora maioria das vezes a recepção foi incrível. Sei que é ridículo vender mentiras em entrevistas , por isso tenho total tranquilidade quando afirmo que é a mais pura verdade. O Uganga vem recebendo um suporte incrível das plateias para as quais nos apresentamos,  seja das pessoas que já nos conhecem quanto das que não faziam idéia de quem éramos. É um puta responsa e nos motiva cada vez mais!

 


Com a entrada de Maurício “Murcego” Pergentino na 3ª guitarrista, a banda passou a ser um sexteto. Como a nova formação, e a nova cabeça pensando no grupo, contribuíram para a banda?

Manu: O Murcego é um amigo das antigas e um excelente músico. Quando o Christian se ausentou para tratar da saúde por quase um ano, em 2014, ele deu uma força para não pararmos com a tour. O Opressor tinha acabado de sair e estávamos com várias datas fechadas. Com a volta do Christian meses depois resolvemos fazer uma experiência com as 3 guitarras e deu muito certo. Estamos seguindo assim como sexteto e todos tem gostado, tanto banda quanto as pessoas que nos acompanham. O Murcego tem uma pegada mais clássica , mais melódica e isso trouxe um elemento novo para as músicas sem descaracterizar nosso estilo. Ele vem colaborando com várias idéias para as novas composições e mesmo nas antigas criou detalhes bem interessantes. Não iremos encher nossas músicas com trocentos  riffs, não fazemos músicas para guitarristas, fazemos música e só. Estamos trabalhando com muito cuidado os arranjos de 3 guitarras levando em conta o “menos é mais”, o coletivo. Creio que estamos nos saindo bem e todos poderão conferir essa química em breve,  já que em 2017 lançaremos nosso sexto album , o primeiro como sexteto.

 

Uganga: Entrevista com Manu Joker

 

 

Vocês possuem uma experiência no exterior, como uma turnê europeia e clipes gravados por lá. Sobre isso, queria fazer algumas perguntas.

Até que ponto, viver e olhar o que há fora do nosso país, pode contribuir na composição de músicas para um possível futuro álbum? Que é o caso de vocês, não é? Uma simples visita a campos de concentração na Polônia, ajudou a compor a faixa “O Campo”.

Manu: Na verdade foram duas tour pelo velho mundo , uma em 2010 e a segunda em 2013 , e ambas foram experiências incríveis! É um prazer enorme poder visitar lugares interessantes fazendo o que mais gostamos que é tocar. Eu diria que é inevitável não se influenciar de alguma maneira por isso. Tudo ao nosso redor tem essa capacidade , mas algumas coisas são realmente mais marcantes que outras. A visita a Auschwitz na primeira tour com certeza foi uma delas. Além de “O Campo”, a letra de “Casa” também foi influenciada por essas viagens.

 

Em quais pontos o cenário rock/metal lá da gringa encontra-se à frente do cenário “brazuca”? Quais os pontos em que a gente deve melhorar? Sejam eles voltados para estruturas de shows, divulgação das bandas, público, produção de CDs e etc.

Manu: A infra estrutura lá é bem melhor que a daqui, isso não se discute. Acho que o tratamento dado as bandas também é algo mais profissional em relação ao Brasil, salvo honrosas exceções. De resto não vejo muita diferença… Roqueiro é roqueiro em qualquer lugar (risos).

 

Em 2016 vocês tocaram com o Exodus, em Curitiba. Não sei se vocês souberam, mas o show do Exodus aqui em Fortaleza foi cancelado, a banda na época até disse em redes sociais que tinha sido por problemas no pagamento. O anuncio do cancelamento do show foi feito na hora do evento, depois de todas as bandas convidadas terem tocado, faltando apenas o Exodus para concluir a noite. A produtora se defendeu, soltando uma nota oficial em sua página no Facebook. Enfim, foi uma confusão bem no estilo “disse, não disse” e até hoje não se sabe quem tem razão. Queria saber de vocês, caso vocês tenham tido um contato próximo com os americanos do Exodus. Como são os caras? Como foi o show em Curitiba? Vocês chegaram a trocar algumas palavras? Como foi aquele momento, que acredito eu, ter sido extremamente marcante e importante para a banda?

 

Manu: Pois é cara , eu fiquei sabendo do lance em Fortaleza e é realmente lamentável que isso ocorra no Brasil,  com uma certa frequência inclusive. Aqui mesmo na nossa área rolou algo parecido com o Obituary tempos atrás , porém não posso nem quero julgar nenhuma das partes envolvidas no lance de Fortaleza. Em relação ao show de Curitiba o contratante foi 100% correto com o Uganga e os caras do Exodus nos trataram extremamente bem. O Zetro até assistiu um pouco do nosso show do lado do palco! Os roadies dos caras também curtiram nosso som e até nos ajudaram no nosso set. Não vi nenhum indício de estrelismo na postura do Exodus, pelo contrário. Tivemos tempo de tomar algumas cervejas com eles depois do show e trocar uma idéia e a impressão foi a melhor possível. Fico feliz com isso pois os caras são nossos heróis e é uma merda quando um artista que você admira banca o otário (risos).


Quais os planos da banda para o futuro? Ainda há shows para fazer em 2016 ou
agora vocês encontram-se preparando o ano que se aproxima?

Manu: Estamos encerrando a tour do Opressor, chegamos a pouco do nordeste onde tocamos no Festival Dosol em Mossoró e no Zonna Rock Fest em Campina Grande  e ainda faremos mais um show aqui na área, no Festival Udirock (Uberlândia-MG) dia 03/12. Vai ser da hora fechar mais esse ciclo tocando com bandas amigas como Scourge, Lava Divers, Chafun Di Formio, Wolfbreath ,além dos mestres Olho Seco. Será destruidor! Depois desse show paramos total com a estrada e focamos 100% na pré do próximo álbum que já está bem avançada. Devemos entrar em estúdio no final de março. Paralelamente a isso tem o lançamento do nosso DVD em fevereiro , esse trampo está ficando foda e logo vamos soltar maios detalhes. Isso porém é só o começo, 2017 tem tudo para ser um excelente ano pro Uganga e vamos trabalhar firme para isso.

 

Muitíssimo obrigado por participar desta entrevista. Deixo aqui um espaço livre para vocês darem o seu recado final.

 Manu: Apoie a cena autoral da sua cidade e abra o olho com a política no Brasil antes que seja tarde!

 

Mais informações: 
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