Lasting Maze: Entrevista com Grazy Mesquita e Pedro Anselmo
17/04/2019 | Por

 

A Lasting Maze é uma banda de Metal melódico/alternativo formada em março de 2014 na cidade de Mossoró-RN. As composições falam sobre a mente humana, psicologia, abordagens científicas, além dos sentimentos que nos norteiam. Em 2016 a banda lançou seu primeiro EP, o ‘Silent Spring’, uma homenagem ao livro ‘Primavera Silenciosa’ da cientista Rachel Carson. O EP conta com seis faixas, todas já disponíveis para download na Web. A Lasting Maze já se apresentou em diversos festivais no Nordeste, como o Dosol 2016 (Mossoró-RN), o Sana 2016 (Fortaleza-CE), SAMM 2017 (Mossoró-RN), Tenshi-con 2018 (Sousa-PB). A banda já teve o privilégio de abrir shows para: Miyazaki Ayumi cantor e compositor japonês bastante renomado, Nando Fernandes ex integrante da banda Angra e Hangar, em 2017 participaram da campanha ‘Bring me to Stage’, e foi a 10ª banda mais votada no Brasil para abrir o show da banda Norte Americana Evanescence. Em 2019 já se apresentaram ao lado do cantor Edu Falaschi (Angra e Almah) no SAMM 2019 (Mossoró-RN). Conversamos com dois integrantes da banda que falaram sobre suas músicas, como tocar o estilo em sua cidade e sobre a força feminina no Metal Nacional

Bruno:  Primeiramente, quero agradecer a atenção de vocês e parabenizar pelo o trabalho que vocês já fazem por esse tempo. Queria saber de vocês como é fazer Metal em Mossoró – RN?

Pedro: Gostaríamos de agradecer pela oportunidade. Fazer Metal em Mossoró primeiramente é muito quente kkkk! A cena da região, tanto aqui quanto nas cidades vizinhas, é bem bacana. Poderia ser melhor? Sim, com certeza. Aqui rola aquele velho problema da falta de um público massivo consumindo o Metal e afins. Ainda assim, temos bons festivais voltados para nosso estilo, como o festival Suado e Rockstage em Mossoró, Abelhudo Rock em Felipe Guerra, Festival DoSol em Natal, etc.

Grazy: Nós que agradecemos por fazermos parte dessa entrevista, Bruno. Fazer metal em Mossoró é complexo. Vivemos em um contexto onde o gênero musical mais consumido é o forró e o sertanejo. A própria cidade em si tem pouco incentivo da prefeitura e outros órgãos para a realização de eventos voltados ao público alternativo, como: o rock, reggae, indie, metal e outros. Embora o forró e sertanejo sejam mais consumidos, há um público amante de metal que é bem fiel, e é sempre muito bacana contar com o apoio desse pessoal.

Bruno: O Novo single de vocês “Greatest Sin” vem com clipe bem legal, vocês poderiam me falar sobre a composição e se o mesmo tem possibilidade de entrar em algum álbum futuro?

Pedro: obrigado pelo elogio. Trabalhamos duro para entregar um clipe redondinho com uma música bacana. A composição teve como ponto criar uma melodia bem Hard Rock com uma pegada moderna, para tratar, na letra, de relacionamentos abusivos. Não queríamos nada melancólico e sim algo pesado, para expressar como pode ser difícil compreender o que se passa nesse assunto abordado. A ideia do clipe veio após o término da gravação. Até em então, não tínhamos material visual sem ser ao vivo, e isso nos pressionou ainda mais. As Redes Sociais são um ponto importantíssimo na divulgação de trabalhos e, sem um vídeo, estávamos um passo atrás. A experiência de gravar também era muito necessária, para expandirmos a novos ambientes, nos próximos trabalhos.

Há uma possibilidade de a música entrar em álbum sim. Depende da temática que será abordada como um todo.

Grazy: Bem, sobre a composição, se trata de fato sobre lidar com um relacionamento abusivo, dando um ponto final a ele, sem olhar para trás, mas sim, de cabeça erguida, e convicto, dando a volta por cima. Por isso decidimos dar essa pegada mais pesada à música. Estávamos devendo um clipe fazia muito tempo, estávamos estudando a possibilidade desse clipe fazia anos, pois queríamos entregar um material de qualidade e bem feito, com a ajuda dos nossos parceiros: Santiago Primo, Tiago Almeida, Diego Costa, Tanilo Almeida e Polly Freitas finalmente conseguimos.

Se há possibilidade de entrar num álbum futuro? Como o Pedro falou, dependendo da temática, sim.

Bruno: O último trabalho de vocês foi “Silent Spring”, um EP com 6 músicas. Como foi o processo dele que abriu as portas para a banda?

Grazy: O ‘Silent Spring’ foi um EP muito experimental, estávamos bem no início da banda, não sabíamos como fazer algumas coisas, mas trabalhamos duro nas canções, composições e arranjos. Aprendemos muita coisa durante a pré-produção e pós-produção do EP. O ‘Silent Spring’ de fato abriu muitas portas para a gente, tanto dentro do Brasil quanto fora. Tocamos em diversos festivais em Mossoró e região, participamos de muitas entrevistas em revistas, sites, rádios e TVs, participamos da coletânea Roadie Metal, e foi muito bacana a repercussão que tudo isso teve, o nosso amigo Vicente, baterista da banda Heavenless nos deu muita força e dicas nesse quesito. Só temos a agradecer por toda essa receptividade do nosso primeiro trabalho.

Bruno: Vocês já tocaram em alguns eventos da cena Geek como o Sana de Fortaleza e outros. Como é a recepção desse público?

Pedro: A recepção desse público sempre é calorosa. Nesses eventos, principalmente o Sana, convém de tocarmos músicas da Cultura Pop e Geek, como animes e games. Geralmente é algo muito nostálgico, pois traz canções da infância de muitos que estão ali. Essa vertente costuma ser bem diferente do Metal Autoral, inclusive já imaginamos se não seria interessante separar e manter dois projetos. Sempre esbarramos na questão do nome, que é muito importante para a banda. A Lasting Maze já tem um certo tempo e traz uma bagagem, que é muito importante. Grandes nomes do Metal Nacional, como Edu Falaschi, são conhecidos pelos seus trabalhos com músicas de anime, então esse é outro ponto que levamos em conta também.

Grazy: Recentemente tocamos no SAMM 2019, que é um evento de cultura pop muito bem produzido realizado em Mossoró. Foi bastante emocionante, pois tocamos com o Edu Falaschi e foi um momento que marcou nossa trajetória. A recepção do público foi muito boa e sempre gostamos de agradecer a eles por estarem conosco. Vocês são demais!

 

 

 

Bruno: Quais são as influências do som de vocês? Vocês se identificam com alguma outra banda de Metal Feminino?

Grazy: Temos muitas influências: Halestorm, Nightwish, Beyond The Black, Delain, Adrenaline Mob, Lacuna Coil, Evanescence, Korn, Disturbed, BabyMetal, PowerWolf e muito mais. Sobre se identificar com alguma banda é complexo de responder, pois fazemos nosso som e temos uma estética diferenciada. Acho que somos uma perfeita mesclagem das nossas influências, seja musicalmente, tecnicamente e esteticamente.

Bruno: Vocês acham que tem mais incentivo do Público local ou de Fora (da cidade)?

Pedro: temos mais incentivo local do que fora. Muito pela falta de contatos fora, o que é absurdamente ruim. Vale ressaltar que a melhor coisa desse mundo são os amigos kkkk! É muito importante ter essa parceria. A Cena Musical é meio incerta, de certa maneira, então a confiança de um amigo aqui ou ali para lhe indicar acaba diminuindo um pouco essa incerteza, o que é indispensável para a coisa toda funcionar. “Olha tem essa banda aqui, os caras são limpeza, traz eles aí” esse tipo de coisa faz uma diferença danada, no fim das contas. Não se trata de meritocracia. Eu mesmo já saí de Mossoró para tocar fora e chegando lá não recebemos o combinado.

Grazy: Eu nunca ponderei muito a respeito, pois temos muito incentivo virtualmente também, temos muitos amigos e fãs que curtem nosso trabalho e estão bem espalhados nas regiões sul, sudeste, norte e nordeste, e também fora do país. Às vezes você produz um trabalho muito legal, mas as pessoas da sua cidade só vão valorizar se outras cidades e Estados valorizarem, ou se a banda estiver bastante evidenciada.

Bruno: Vocês acham que ainda existe um forte machismo na cena Metal com Mulheres dentro do nosso País?

Grazy: Sim. Bastante, e é algo que precisa ser comentado e combatido, não só eu, mas diversas amigas que tenho já foram alvo de situações muito ruins e desconfortáveis, apenas por ser uma mulher que gosta de cantar e por ter uma banda.

Bruno: Hoje vocês conseguem ver mais união das mulheres na Cena Metal Nacional?

Grazy: Que tipo de união especificamente? Se for no quesito de troca de experiências, apoio moral e ajuda na resolução de problemas, digo um enorme SIM (rsrs). Hoje em dia com a internet a conexão entre bandas ao redor do Brasil e do mundo se tornou bem viável. E tipo, muitos pensam que se em um ambiente há duas bandas com mulheres, elas têm que se digladiar até a morte para definir qual é a melhor banda. NÃO! As coisas não funcionam assim. Acredito que ninguém quer tomar o espaço de ninguém (pelo menos não deviam pensar assim), cada qual quer conquistar seu próprio espaço. Afinal, ninguém escuta só uma banda, ou tem só uma influência, eu mesma citei diversas influências logo acima, e nós não produziríamos a música que produzimos sem todas elas. Atualmente tive a grande honra de participar de um grupo de cantoras incríveis, bastante criativas e batalhadoras. Lá a gente se ajuda de uma forma sem igual, dividimos informações, experiências, aprendemos e ensinamos, quero dar um grande salve para todas elas e suas respectivas bandas: Stephany Nusch (Inraza), Nina Furtado (Haney), Andressa Lé (Anfear), Vivs Takahashi (FlowerLeaf), Deze Rezende (Fenrir’s Scar) e Laís Tomaz (Ofyr), confiram o trabalho delas, é incrível.

Bruno: Quero agradecer a atenção e deixando o espaço para qualquer mensagem para o público de vocês e os novos que estão conhecendo agora.

Pedro: muito obrigado a todos que escutam nosso material. É um grande prazer para nós. Continuem ouvindo!

Grazy: Muito obrigada Bruno, ao Detector de Metal, a todos os leitores e a todos que acompanham nosso trabalho, estamos loucos para lançar material novo para vocês. Enquanto isso vejam nosso mais recente videoclipe ‘Greatest Sin’. Forte abraço!

Banda:

Grazy Mesquita – Vocalista

Baixista: Isaac Barros

Guitarrista: Pedro Anselmo

Baterista: Mick Souza

Midias:

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